Na noite de 26 de abril, data de estreia do novo documentário produzido por Gal Gadot e lançado pela National Geographic, a atriz e produtora participou de um painel de estreia ao lado da diretora Vanessa Roth e as heroínas da vida real Kameryn Everett, Kelsey Ellis e Tuany Nascimento. O Gal Gadot Brasil pode assistir a este painel, bem como a três episódios do documentário e fizemos um resumo de tudo para vocês.

Gal Gadot começou o painel apresentando a série e dizendo que, está “muito orgulhosa de amplificar as vozes delas através desta série. Espero que vocês fiquem tão inspirados como eu estou a ser o herói da sua própria história de vida.

A participação de Gal Gadot na série documental é muito curta, mostrando que as estrelas em questão são as meninas apresentadas. Para cada episódio, a atriz e produtora apresenta o impacto que cada uma delas gerou.

Ice Breakers

“Quero que elas sintam que não precisam esconder o que amam ou quem são para se apresentar.” Este é o desejo de Kameryn para as meninas que ela treina como patinadoras e modelo de vida, enquanto as lembra de sempre abraçarem a beleza, alegria e senso de identidade delas, dentro e fora do gelo. Este é o Impacto de Kameryn.

Ice Breakers, conta a história de Kameryn, uma treinadora de patinação artística de 20 anos, em Detroit, que dedicou sua vida a treinar garotas negras para empodera-las dentro e fora do gelo. Quem rouba a cena do documentário é Alyvia, umas das alunas de Kameryn, de apenas 8 anos, que recita dois lindos poemas dedicados a garotas pretas que acham que não têm um lugar no mundo e menos ainda na patinação artística.

Tivemos protestos. Tivemos discursos. Grandes líderes tentaram nos alcançar. Há milhares de coisas que posso pensar. Mas não. Ainda estamos fazendo as mesmas perguntas. Por quê?Não sei por quê este mundo não pode encontrar paz interior. Porque eu só quero andar pela rua e encontrar um lugar onde a felicidade e paz interior se encontrem.

Kameryn utiliza seus exitos como patinadora para mostras que elas fazem parte daquele lugar sim e de onde mais elas quiserem estar. Ela já treinou e mudou a vida de mais de 250 meninas pretas em Detroit.

O impacto de Kameryn é dedicado a todas as meninas do mundo que nos inspiram a sermos nós mesmas.

Surf Sisters

Luto e perda são as coisas mais universais que os humanos experimentam. Kelsey, que perdeu sua irmã gêmea para COVID-19 no ano passado, percebeu essa verdade. E em vez de se isolar em sua dor, ela estendeu a mão para ajudar a curar outras pessoas. Este é o impacto dela.

Surf Sisters, mostra como Kelsey, de Half Moon Bay, Califórnia, transforma seu luto em impacto ao curar outras mulheres por meio de um programa especial de surfterapia que ela iniciou para mulheres que sofrem os efeitos do tráfico humano, violência doméstica, agressão sexual, luto e perda. A irmã de Kelsey era enfermeira de transplantados e contraiu COVID-19 logo no início do surgimentos dos primeiros casos. Kensey conta que os médicos não sabiam direito o que a irmã dela tinha.

Para mim, este foi o episódio mais doloroso de assistir, dada a situação da pandemia no mundo e principalmente no Brasil. Mas, ao mesmo tempo que é doloroso, é bonito ver como Kelsey usa e honra a memória de sua irmã para o bem de outras pessoas, como sua irmã fazia em sua profissão.

Kelsey ajudou mais de 250 mulheres a se recuperarem de algum trauma. O trabalho dela faz parte de uma comunidade global, a Groundswell Community Project, uma organização de surf-terapia que já ajudou mais de mil mulheres.

O impacto de Kelsey é dedicado à sua irmã gêmea Audrey e todos aqueles que perdemos pela COVID-19.

Na Ponta dos Pés

“Quero que você acredite no impossível. Que desenhe a vida. Que forme pessoas. E, agora, tenho muito orgulho que você pode inspirar outros.” Esta linda frase é da Tuany, que deu a uma geração de jovens garotas um lugar seguro para se sentirem protegidas, amadas e saberem que elas são mais capazes e mais poderosas do que as circunstâncias em que elas nasceram. Este é o impacto de Tuany.

Na Ponta dos Pés, mostra a história inspiradora de Tuany, uma dançarina de balé de 23 anos que começou uma companhia de dança para meninas no meio de uma das favelas mais perigosas do Rio de Janeiro, dando às alunas esperança de um futuro melhor e um espaço seguro longe do mundo violento ao seu redor. Tuany conta que se sentia muita velha para insistir na carreira de bailarina, mas decidiu continuar treinando próximo de sua casa. Sempre que treinava, meninas da comunidade do Morro do Adeus a observavam e a imitavam. Ela então decidiu ensinar balé para as meninas, enquanto treinava.

O projeto que começou tímido, com aulas numa quadra de esportes, hoje tem uma sede construída pelas próprias meninas (cada bloco tem o nome de uma delas e uma cartinha com seus sonhos), graças a um financiamento coletivo. Hoje, o local é o principal centro comunitário da Comunidade, não apenas com aulas de balé, mas também com distribuição de cestas básicas e outros serviços.

Parte das imagens mostradas no documentário são de 2016, quando a equipe do produtor Ryan Pallotta esteve no Rio de Janeiro e fez um curta sobre o projeto. Foram essas gravações que chamaram a atenção de Gal Gadot e Jaron Varsano a criar esta série documental. A equipe de Impact esteve com Tuany no final do ano passado e é incrível ver o quanto o projeto e as meninas mostradas cresceram.

Tuany já impactou mais de 550 meninas e suas famílias através da escola de balé. Agora, ela está introduzindo programas educacionais que oferecerão às futuras gerações de garotas novas oportunidades que quebrarão o ciclo de pobreza no qual elas nasceram.

O impacto de Tuany é dedicado a todas as meninas pelo mundo; vocês são mais capazes, talentosas, inteligentes e poderosas do que sabem.

O painel

Juju Chang, a moderadora do painel, frisou que Gal Gadot não apenas interpreta uma heroína nos filmes, mas também está sendo uma heroína da vida real, ao usar sua influência considerável para ajudar pessoas de verdade. A atriz contou o que a inspirou em iniciar este documentário e mostrar estas histórias. “Acredito muito em contar histórias e há alguns anos, após o sucesso de Mulher-Maravilha, a fama e tudo isso, me senti tão grata de ter um alcance a tantas pessoas, que queria fazer algo bom com isso. Queria trazer algo bom para o mundo onde eu não fosse a heroína, que não fosse sobre mim, mas que chamasse atenção para mulheres extraordinárias que fazem coisas extraordinárias. A primeira história que descobrimos, nos encontramos com Ryan Pallotta, que fez um filme sobre a Tuany e seu impacto incrível. Jaron e eu, meu parceiro, meu marido, nos apaixonamos completamente pela Tuany, pela sua determinação, liderança e tudo o que ela apoia e decidimos que construiríamos um conceito em torno disso. Nós colaboramos com a incrível Vanessa Roth e a National Geographic.

A diretora Vanessa Roth explica que com o formato curto dos documentários, eles esperam que eles sejam mais compartilhados, “É o formato perfeito para isso, pois em muitos dos casos, encontramos essas histórias pelas mídias sociais: Instagram, fotógrafos ou campanhas de financiamento coletivo, publicações locais (…). Faz muito sentido que ficamos impactados pelo o que vimos e, esperamos, virar isso e impactar pessoas compartilhando as histórias.

Juju Chang aponta uma similaridade entre a atriz Gal Gadot, Tuany Nascimento e Kameryn Everett: as três representam poder e força, como a Mulher-Maravilha, mas também beleza, graça e elegância, o que é muito feminino. Sobre como interpretar a Mulher-Maravilha se relacionar com o que essas mulheres maravilhosas estão fazendo, a atriz respondeu, “Eu realmente acredito que todos esses elementos são o que fazem elas serem essas mulheres maravilhosas. Tipo, você não precisa ser apenas uma coisa. Se você é mulher, não significa que você precisa ser, necessariamente, delicada e frágil. Não! Somos todo o tipo de coisa. E somos tudo. Elas são todas muito bonitas e inteligentes, fortes, atléticas. Elas são esse tipo de mulher cheia de faces e acho que elas são verdadeiros exemplos para mulheres reais pelo mundo. Não estamos no mundo de uma dimensão, onde as mulheres estão apenas esperando em casa, cuidando das crianças. As mulheres são um universo inteiro e sempre foram. E elas são as provas reais disso.

Sobre as histórias que sua produtora produzirá e como escolhe seus papeis, Gal Gadot disse, “Acho que o que nos motiva é, basicamente, contar histórias que nos deixam intrigados e que adoraríamos assistir. Cada história que estamos desenvolvendo é voltada para as mulheres, mas não só isso, há algum tipo de valor agregado nas personagens. Ou ela é uma inventora ou foi uma pioneira em um campo diferente… Esses são os tipos de histórias que me atraem e é muito simples, depois que você tem essa bússola e sabe exatamente para onde está indo, é muito fácil escolher.

A diretora Vanessa Roth disse que gravaram o documentário durante a pandemia, tomando todas as precauções, mas só foram até o ponto em que eles estavam confortáveis em ir e fosse seguro para todos os participantes, “Agora que penso nisso, fico feliz que o gravamos quando gravamos, pois mostra que a mesmo no meio da pandemia, a vida dessas mulheres ainda acontecia. Elas ainda estavam causando um impacto. A Tuany é um ótimo exemplo. A escola de balé dela começou como uma coisa e isso se tornou o centro da comunidade, se tornou o local onde as pessoas vão.

No final do painel e o momento mais surpreendente, foi quando a moderadora Juju Chung pediu para a Tuany falar da situação da pandemia no Brasil. A bailarina disse que no país também existe a questão política, junto à da pandemia, pois temos um líder que no início não entendia a gravidade do vírus. Ela disse que o terceiro setor, as ONGs, que acabaram ajudando as pessoas, pois “ficamos divididos entre morrer de COVID e morrer de fome“.

Gal Gadot finalizou, agradecendo as meninas por deixarem eles compartilharem suas histórias com o mundo, “Mal posso esperar para que o mundo leve vocês para o coração deles, assim como fizemos. Só quero dizer que fiquei muito inspirada com vocês, com como vocês pegaram seus desafios, suas lutas e ao invés de ficarem com pena de si mesmas, ficarem tristes ou bravas com isso, vocês a tornaram em uma ferramenta poderosa que impactou completamente a vida de outras pessoas. Portanto, obrigada por me inspirar, por afetar tantas pessoas em suas comunidades. Mal posso esperar para compartilhar as histórias de vocês com o mundo.