Confira as imagens e a tradução da matéria sobre Gal Gadot, escolhida a “Mulher do Ano de 2017” pela revista GQ, publicada na edição de dezembro de 2017 da revista norte-americana.

A Gal da porta ao lado

A Mulher-Maravilha esteve conosco por décadas, mas 2017 foi o ano em que ela realmente conseguiu o sucesso que ela merecia, e agora, Gal Gadot, a verdadeira ex-soldado que a interpreta é a Mulher-Maravilha para sempre. Caity Weaver foi para as praias de Tel Aviv com Gadot e seus muitos (muitos) fãs.

Por Caity Weaver

O dia em que conheci a Mulher-Maravilha à beira-mar é um dia perfeito de praia, seguido de vários ininterruptos dias de praia perfeitos. O sol está esplêndido. O céu está um ostentado azul. As pessoas de Israel estão usando tênis brancos e fazem vigorosos exercícios nos parques de fitness gratuitos que colorem em cores primárias a costa de Tel Aviv. A água é tão quente e tão salgada como uma pia de lágrimas. O sanduíche de ovos é inesperado.

A Mulher-Maravilha me trouxe o sanduíche de ovos embrulhado em papel celofane e, quando chega, o entrega para mim com confiança, como se eu tivesse pedido o lanche. Ela também me trouxe uma toalha de banho branca e fofa de sua própria casa. A Mulher-Maravilha está acostumada a cuidar de tudo, pois ela é a protetora da humanidade.

Aqui no mundo real, a Mulher-Maravilha é Gal Gadot e o estilo pessoal de Gal Gadot fora da câmera é como a de uma moradora de uma ilha deserta que recebe pacotes regulares de roupas de da última coleção das melhores casas de moda de luxo do mundo. Ela chega na praia com o cabelo em um coque, usando chinelos de borracha velhos, shorts jeans tão surrados que chega a ser desconfortável e um maiô de alta costura preto de couro, com mangas meia cava, um decote profundo e um campo de flores e folhas cortadas e bordadas a laser. É um traje de banho projetado para ser usado mais na teoria do que na prática, mas ainda assim parece funcionar como o traje de banho casual de Gadot para se misturar. Eu o reconheço de uma recente publicação do Instagram de Gadot em uma piscina com as amigas. Quando menciono isso, ela contorce o rosto, fingindo estar preocupada: “Não posso acreditar que eu usei o mesmo maiô duas vezes!” Eu expresso a minha preocupação que ela será vista pelos fãs, porque ela basicamente chegou à praia vestindo uma fantasia de Gal Gadot. Ela ri e se joga sob a sombra de uma barraca pública.

A coisa mais linda em Gal Gadot é o sorriso dela – ele é verdadeiro, devastador, aparecendo de supetão frequentemente, para o perigo daqueles à sua volta -, mas as outras coisas também são boas. Ela possui características que fazem com que os cosméticos sejam espalhafatosos, como usar caneta grifa-texto para contornar as asas de uma borboleta. A altura dela, 1,78m, e a sua magreza se comportam como cores complementares, a estatura enfatizando a esbeltez e vice-versa. Mas a magreza de Gadot não a faz parecer pequena. Ela possui a estrutura óssea de uma estátua delicadamente esculpida, mas a presença física dela é mais parecida com a haste que corre pelas costas da estátua para absorver ataques de raios.

Ela é reconhecida. Ela é reconhecida de novo e de novo, provavelmente dezenas de vezes, antes de partirmos. Ela atende praticamente a todos, talvez calculando que demorará mais para decepcionar um fã do que sorrir e posar para foto. O truque dela é oferecer um “Obrigada!” imediato, no instante em que uma foto foi tirada, o sinal educado dela de que a interação foi concluída.

Já está tão quente quanto uma churrasqueira, em um sótão sob o sol. Mas às 10 da manhã, há pouquíssimas pessoas nesta praia, nos subúrbios de Tel Aviv, de modo que todos possam caber no quadrado fresco e cinza da sombra fornecida pela tenda. O problema é que você tem que compartilhar o seu quadrado com estranhos e é por isso que Gadot e eu somos unidas primeiro por um senhor de idade e, mais tarde, por uma mulher em seus quase 60 anos, que se senta atrás de Gadot e observa o mar. Como a logística da segurança pessoal muda, quando você se torna, de repente, uma figura pública global?

Eu fico muito mais atenta e alerta,” diz Gadot, se alongando na areia. “Eu não quero me isolar da sociedade. Eu quero estar em meio a todos, eu gosto de conversar com pessoas aleatórias às vezes. É mais fácil para mim aqui [em Israel], porque traçar o perfil das pessoas é realmente fácil para mim.” Ela gesticula em direção a um grupo de cerca de 20 jovens em uma tenda vizinha, muitos dos quais já lhe pediram fotos.

Tipo, eu posso dizer que esse grupo, eles são boas pessoas. Eles são tranquilos, legais. Eles vão limpar o que sujarem, quando saírem. Eles não procuram por problemas.” Ela gesticula para trás com a cabeça. “Essa mulher,” ela diz no mesmo tom alegre, “provavelmente é da Rússia.

A mulher observando o mar, que está fora do campo de visão de Gadot desde que ela se sentou, nem sei quando ela a viu, tem cabelo curto loiro e veste um traje de banho azul. Nada no comportamento dela traz visões do Bolshoi à mente.

Por que você acha isso?” eu pergunto.

Apenas sei,” Gadot diz dando de ombros. “Apenas sei.

A verdade é que Gadot não está apenas alerta, mas hiper alerta. A sua maneira calma e casual contradiz a sua percepção notória da proximidade dos estranhos em público. Muitas vezes, durante a conversa, a cabeça de Gadot se vira rapidamente, procurando a fonte de sons ou movimentos intrusivos. O comportamento não é esquisito, mas sim atento. Sempre que ela sente alguém se aproximando, algo que ela pode perceber mesmo a quilômetros de distância, ela fica imóvel e quieta, como um surfista que se prepara para uma onda. Em um momento durante a nossa conversa, ela se vira abruptamente, pegando desprevenidas tanto eu quanto as duas mulheres que estavam lentamente andando pela areia para aproximá-la por trás. “Uau, meninas!” Ela chama, radiante. “Estou bem no meio de uma entrevista, vocês podem retornar?” Eles sorriem e se afastam.

Pergunto a Gadot se ela é a pessoa mais famosa em Israel que não está atualmente comando o país.

Ela considera a pergunta por um momento, depois responde com um tom uniforme. “Provavelmente.

Quando a Mulher-Maravilha fez a estreia dela em Batman v Superman: A Origem da Justiça, em 2016, ela vivenciou cenas como se ela tivesse pás de um desfibrilador presas nos saltos altos dela. Baseado nos menos de 10 minutos de tempo de tela dela, Gal Gadot foi aclamada como a salvadora do universo cinematográfico da DC. Assim, ele foi um raro exemplo de que os melhores planos realmente acabam sendo os melhores planos, quando o filme solo da Mulher-Maravilha – um filme de origem que se passa na Primeira Guerra Mundial, cem anos antes dos eventos de Batman v Superman – começou a aniquilar os recordes de bilheteria do verão passado: o maior filme de super-herói em arrecadação protagonizado por uma mulher, o maior filme de ação em arrecadação dirigido por uma mulher, o maior filme de arrecadação do gênero fantasia e que também educa os adolescentes sobre a terrível realidade das trincheiras de guerra.

As críticas de Mulher-Maravilha brilharam com a luminosidade ofuscante de um Laço da Verdade feito de CGI. O público estava encantado que uma história sobre armas químicas tinha tanto amor. Porque Mulher-Maravilha é uma menina, Girl Scouts of America (As Escoteiras da América, em tradução livre) se gabou do sucesso do filme, na página oficial do Facebook da organização. O filme era um turbilhão de boa vontade.

A mudança mais óbvia dos filmes de quadrinhos de baixo desempenho que vieram antes foi a inserção de uma mulher vestida de armadura em um cenário povoado quase que exclusivamente por homens revestidos em espandex. (Certo, o traje da Mulher-Maravilha era de borracha, mas quase se parecia com uma armadura.) O resultado, criado pela diretora Patty Jenkins, foi um passeio de emoção com alto índice de octanas e estrogênio. A época também ajudou, chegando quando chegou, com a perda surpreendente de uma candidata presidencial feminina a um sexista heterossexual. As projeções do estúdio sugeriram que o filme arrecadaria 65 milhões de dólares em seu fim de semana de estreia nos Estados Unidos. Em vez disso, arrecadou 103 milhões de dólares, já que o público feminino compareceram em número recorde para assistirem uma mulher fictícia que não estava à mercê dos homens; muitas relataram lágrimas durante as cenas de batalha da Mulher-Maravilha. (As crianças, também. Em um vídeo que se tornou viral semanas após o lançamento do filme, Gadot consolou uma que soluçava, vestida de Mulher-Maravilha em uma convenção de fãs. “Não há motivo para chorar, está bem?” Gadot disse generosamente. “Estamos aqui, juntas.“)

No entanto, apesar de suas circunstâncias favoráveis, deve ser dito que a atriz carregou Mulher-Maravilha. Antes do lançamento do filme, havia agitação, enquanto as pessoas se preocupavam que os homens não gostariam de um super-herói se ele também não fosse um homem. A Mulher-Maravilha de Gadot foi brutal com os alemães e gentil com os bebês. Ela era digna e ocasionalmente engraçada. Ela era capaz de alegria (raridade na era dos super-heróis emocionalmente torturados) e de compaixão além da capacidade humana. Ela era implacavelmente, impiedosamente encantadora. Acontece que os homens também gostam disso.

Embora Gadot tenha sido o rosto do maior filme do verão, sabe-se relativamente pouco sobre a mulher que está por trás da Mulher-Maravilha, além de uma pequena coleção de fatos repetidamente reexaminados como tesouros preciosos exóticos no circuito dos programas de entrevistas noturnas: Gal Gadot ganhou o concurso de beleza Miss Israel, em 2004. Gal Gadot completou dois anos de serviço nas Forças de Defesa de Israel (mandatório para os cidadãos israelenses). Gal Gadot frequentou a faculdade de direito por um ano. (Uma soldada, concorrente em um concurso de beleza, com uma mente legal astuta? Meio que soa como a Mulher-Maravilha.)

É engraçado,” Gadot diz, “pois sinto como se eu estou no meu começo. Após 10 anos [de atuação], agora que estou começando.

A primeira missão de Gadot foi impulsionar a Mulher-Maravilha para a glória da bilheteria, através da força de seu carisma. Seu novo desafio é mais complicado: certificar-se de que ela não será engolida pela super-heroína que ela interpretará na telona, praticamente sem parar, pelo menos, pelos próximos 24 meses. Ela reprisará o papel em novembro, em Liga de Justiça, novamente na sequência de seu filme solo, em 2019 e, possivelmente, de novo em 2020, em um filme centrado no Flash. Se ela está preocupada em estar presa em um carrossel de filmes de histórias em quadrinhos em seu futuro previsível, ela não demonstra. “Contanto que a história seja boa,” ela diz, “todos os gêneros são legítimos.” Mesmo assim, ela gostaria de seguir em frente deste trabalho, em algum momento.

Não é que tudo o que eu quero fazer, pelo resto da minha vida, é Mulher-Maravilha,” Gadot diz. “Obviamente, não.

Gadot cresceu na água, gal é a palavra hebraica para “onda”, e depois de uma hora de conversa na praia, ela sugere que nademos. Alguns minutos depois, lá está Gal Gadot, em Gottex com flores de couro de alta costura, flutuando no Mediterrâneo lápis-lazúli, com os olhos fechados, o rosto virado para o deslumbrante sol do meio-dia, e também eu. Ela escolheu este local para flutuar escrupulosamente, seguindo as rochas submersas até que só havia areia fofa debaixo dos pés dela. Pequenos peixes nadam rapidamente em silêncio ao redor do corpo dela. “Conte-me o que você gosta de comer“, ela ronrona, rompendo o silêncio calmo das ondas. Então ela solta a armadilha da observação dela: “PORQUE EU NOTEI QUE VOCÊ NÃO COMEU O SANDUÍCHE DE OVO QUE EU TE TROUXE.”

Estou chocada. Eu estava fingido, pensei que de forma convincente, comer o sanduíche de ovos desde que desenrolamos as nossas toalhas.

De volta à terra firme, o ar está tão quente que te seca. Uma vez fora da água, eu tenho um pedido: a Mulher-Maravilha é a lutadora mais forte, a que mais derruba um cara mau, a combatente mais confiante da cultura pop, e eu quero aprender a lutar com ela. Peço a Gadot que utilize seus seis meses de treinamento de defesa para Mulher-Maravilha para me derrubar na areia. Ela enumera todas as maneiras que isso pode dar errado. Ela está preocupada que eu me machucarei, “Eu te derrubo e você fica, ‘Oh, minhas costas! Ai, meu Deus!’” Ela insiste que eu não saberei como cair corretamente. Ela não quer que as pessoas pensem que ela é suscetível a atos aleatórios de violência. Não, não, ela não vai fazer isso.

Proponho que entremos na possibilidade de um ataque completo, fazendo com que ela me ensine algo diferente: a poderosa caminhada em câmera lenta que a Mulher-Maravilha desencadeia, quando, sozinha, enfrenta um pelotão alemão, para salvar alguns membros da classe camponesa belga. Isso acontece quase no meio do filme e é, em vários aspectos, a cena que define o filme. É a primeira vez que os telespectadores veem a Mulher-Maravilha em traje de batalha completo e isso inicia uma sequência que revela a essência do caráter dela: ela está sozinha, enfrentando sem medo uma fila de homens com armas, desviando de suas estúpidas balas com seus braceletes e arriscando a vida dela para ajudar estranhos desafortunados. Os fãs se referem a este momento com reverência como “a cena da terra-de-ninguém”.

Ela se levanta na ponta dos pés na areia quente (a Mulher-Maravilha usa sapatos de salto, ela explica) e avança lentamente, com ombros para trás, deslocando deliberadamente o seu peso de um quadril para o outro, pronta para enfrentar um pelotão alemão, pronta para marchar o caminho todo até o estacionamento da praia, se for necessário, até ela ser interrompida por um homem que gostaria de uma foto, por favor.

A compreensão do inglês de Gadot é forte. As palavras dela, muitas vezes, soam ligeiramente conectadas, como se estivessem todas revestidas de mel e se grudassem. (Um dos cinco melhores sons da Terra é Gal Gadot dizendo “Leonard Cohen”, o que ela diz assim: leh-ow-hu-narhd cuh’wen.) A primeira língua dela é a hebraica e por ela falar inglês com um sotaque israelense-hebraico, todas as mulheres da mítica ilha de Themyscira, a casa da Mulher-Maravilha, falam inglês com um sotaque israelense-hebraico – até mesmo Robin Wright. O aprendizado escolar de Gadot em inglês começou na terceira série, mas ela realmente não se concentrou em dominá-lo até o momento que ela quis assistir Seinfeld e Friends. Na fala, às vezes, ela traduz figuras de linguagem do hebreu para as inglesas que não existem, o que dá ao discurso dela um toque poético. (A descrição dela de atuação: “Indo com, mas se sentindo sem. Vocês tem esse termo?“. Deveríamos.) O inglês americano tem mais fonemas de vogais do que o hebraico, o que significa que as falas, às vezes, exijam que Gadot produza sons que simplesmente não existem em sua língua nativa. Isso pode levar à confusão, como quando, no clímax emocional de Mulher-Maravilha, nossa heroína desencadeia um grito angustiado de “Stiv!” para o céu enquanto testemunha um incidente que põe em perigo o namorado dela, Steve.

 “Eu lutei contra o meu sotaque por tanto tempo,” ela diz. “Tipo, eu tenho que soar mais americana. Eu era um pouco tímida quanto ao meu sotaque. Até que eu desencanei. Meu treinador linguístico me disse: ‘Apenas assuma o seu sotaque. Contanto que você seja clara e compreendida, assuma ele.’ E desde que comecei a assumi-lo, sinto-me livre. É engraçado, porque o idioma trata da comunicação e se você não se sente confortável com o seu sotaque, você não se sente à vontade para se comunicar. Se você entender que é diferente e está tudo bem e se sente confortável com isso, então, lentamente, outras pessoas começam a se sentir à vontade.

Eu gosto que esse seja um momento vulnerável e eu o exponho, porque aprendo mais [com] ele. Eu não gostaria de estar local em que digo coisas erradas e as pessoas têm medo de me corrigir… [Às vezes] Eu me sinto tão tonta. Porque em hebraico, sempre que dou entrevistas, sempre que falo com alguém – eu lia muito, quando pequena, e é importante para mim ser eloquente, ter um bom vocabulário e ser muito precisa com o que pretendo dizer – tenho a gramática. Mas, em inglês, não importa quantas vezes eu leio – sabe, vou fazer uma lista de palavras que eu gosto de usar – ainda não está no meu DNA.

Em outras palavras, ela fala inglês bem o suficiente para evitar ocasionalmente os coloquialismos desconfigurados, mas bem o suficiente para dizer: “Ainda não está no meu DNA.

Uma compreensão nativa do inglês não é um requisito em Hollywood – Sofia Vergara é a atriz mais bem paga da TV – mas ter um sotaque estrangeiro limita os papéis que te serão oferecidos. Na sua carreira de cinema pré-Mulher-Maravilha, Gadot interpretou uma espiã, uma ex-espiã, a esposa de um espião, uma criada, um membro de uma família judaica mafiosa e uma mulher sexy que, nas palavras de outro personagem, “é israelense” e “não fala muito inglês”.

A característica mais distinta da voz de Gadot, no entanto, não é o sotaque dela, mas é a rouquidão perpétua e profunda, uma qualidade hipnótica que a faz parecer como se ela tivesse acabado de sair da cama o tempo todo.

Quando eu era garota,” ela diz entre goles de café com xarope de açúcar extra, “Eu fui a terapia de voz, pois tinha uma voz rouca. Eu costumava ficar sem voz muito fácil. Eles me ensinaram como respirar, pois eu não respirava direito.

É engraçado imaginar uma criança com uma voz tão rouca e sensual,” eu digo.

Ela arqueia a sobrancelha e brinca, abaixando a voz, até que ela esteja praticamente no chão: “Você quer brincar de esconde-esconde?” Eu me dissolvo em riso. Ela se aproxima, para sussurrar em meu ouvido. “Venha me achar.

Chega um momento, em cada matéria que fala sobre Gal Gadot, que uma tentativa de explicar a pronúncia correta de seu nome deve ser feita. Se você acha que já sabe como pronunciar o nome dela, você provavelmente não sabe. E se você sabe que não sabe como pronunciar o nome dela, você nunca conseguirá pronunciá-lo exatamente correto.

Ainda sou, provavelmente, 60% das vezes, Gadoh,” diz Gadot. Não é Gadoh. Mas também não é bem Gah-DOTT. O conselho confuso dela é que o T é pronunciado como “um T mais leve… um T mais suave“. Ela agradece que todos estejam tentando o seu melhor.

Enquanto estamos guardando nossas coisas para deixar a praia, a mulher possivelmente russa de maiô azul atrás de nós faz uma ligação, nos dando a chance de testar os poderes de observação de Gadot.

Que língua ela está falando?” ela pergunta sussurrando, retoricamente, enquanto dobra a toalha dela. Ela sabe a resposta, ela só quer que eu note: a mulher está falando russo.

Gal Gadot é muito ativa. Do tipo: quando você a conhece, ela colocará as mãos dela em você muitas vezes, em muitos lugares diferentes. A cultura israelense é tão orientada para o contato que os guias para americanos que viajam para lá advertem que eles podem sentir que o espaço pessoal deles está sendo constantemente violado, em contextos formais. Gadot pode, sem palavras, esticar  a mão para remover uma migalha do seu rosto enquanto você está comendo, ou levemente descansar a palma da mão na metade da sua coxa, durante meio minuto, enquanto ela conta uma história. Ela pode transformar as mãos em pequenas garras e fazer cócegas em você com flexões rápidas de dedo, do jeito que você faria na barriga de um bebê, se algo na sua atitude sugerir a ela que você precisa de cócegas naquele momento. Mesmo que as sequências de Mulher-Maravilha e spin-off impulsionem Gadot para novas alturas do estrelato global, ela provavelmente não perderá esse hábito de tocar, porque ela é uma mulher encantadora e linda e nunca passara pela cabeça das pessoas se afastarem dela. No discurso, também, Gadot tem uma tendência compulsiva de criar intimidade, como quando, na manhã seguinte à praia, ela sorri de forma conspiratória e me diz que ela me levará para um pequeno lugar perto da casa dela que ela ama, e acontece que esse lugar é uma pequena loja onde compra sabão para lavar a roupa.

Na padaria do bairro dela, Gadot traduz pacientemente literalmente o menu inteiro para mim, sem pular ou resumir itens. “Isto é quiche de cogumelo, quiche de batata doce, quiche de tomate e azeitonas, pretzel, pretzel de canela, pão doce de pistache e chocolate, pão doce de framboesa, pão doce de baunilha e passas, brioche de chocolate, brioche de amêndoa e chocolate, brioche de amêndoa, croissant de chocolate, croissant de manteiga, croissant de chocolate e amêndoa, que é uau…” Demora alguns minutos. Ela conhece todos os funcionários da padaria, bem como muitos dos clientes, e quase todos em Israel param para dizer olá. Os funcionários falam com ela sobre o fermento. O marido gostoso dela aparece e a beija nos lábios. Ela tem uma longa conversa com o filho de um vizinho, sobre uma receita de peixe.

Eu sinto muito!” ela suspira entre as conversas. Não tivemos mais de dois minutos de conversa ininterrupta, desde a entrada na loja e ela está começando a se preocupar que ir até a padaria mais popular de seu bairro que todos os seus amigos e família adoram foi uma má ideia.

É como o seu Cheers,” eu digo a ela. Todos aqui realmente sabem o nome dela.

Ela explode rindo e me corrige: “É L’Chaim!

Partimos antes que mais pessoas que ela ama possam aparecer e, virando a esquina na rua suavemente inclinada da casa dela, damos de cara com um bando de turistas de Miami. Gadot ergue uma mão até a testa, como se estivesse protegendo os olhos do sol e a deixa lá para esconder o rosto, enquanto caminhava. É somente quando ela chega em seu muro de pedra que alguém suspira, “Gal Gadot!” Gal se vira e acena, antes de escapar para dentro do seu portão da frente.

Se você se virar quando ouvir seu nome, eles saberão que é você,” eu digo.

Mas esta é a minha casa,” ela explica. Ela faz um gesto, desaparecendo por uma porta: “Até mais!

No pequeno quintal de Gadot, encontramos a cachorra dela, Lola, que está se aproximando em suas patas traseiras, em busca de atenção. É hora de Gal e eu nos despedirmos, mas tenho um arrependimento de ontem: nunca consegui enfrentar a Mulher-Maravilha em um combate corpo a corpo. Eu faço um apelo final.

Você é muito vergonhosa,” ela diz sorrindo.

Temos total privacidade.

Eu sabia que isso era um erro.” Gadot levanta os olhos para o céu, dramaticamente, mas ela já está andando de chinelos em direção ao centro do quintal e se preparando para o meu ataque.

Isso é o que acontece quando você tenta emboscar a Mulher-Maravilha: no instante em que suas mãos caem sobre ela, ela já está segurando-as. As suas mãos são as mãos dela, agora. O próximo segundo é um borrão, com vários coisas ocorrendo em uma sucessão arriscada, que parece simultânea: a Mulher-Maravilha troca de lugar com você, o seu corpo vai na terra e seus braços ficam presos pelos dela, obrigando você a se contorcer. Você não consegue ver o que ela está fazendo, pois, de alguma maneira inexplicável, seus óculos já não estão no seu rosto e ressurgiram nas mãos da Mulher-Maravilha. O cachorro mistura de poodle da Mulher-Maravilha te observa em horror, mudo. Você está à mercê da Mulher-Maravilha.

Então,” ela murmura, com a voz rouca e cantarolando, puxando você em um abraço, te embalando tão gentilmente como uma pomba que ela gostaria de imobilizar, “eu dou a ela… um abraaaaço!

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Bastidores da sessão de fotos

Gal Gadot em: Galsplaining

Quando Gal Gadot e Patty Jenkins se juntam, é puro amor, mas elas merecem

Por Michael Ordona

A Mulher-Maravilha está prestes a ficar envergonhada.

Há uma naturalidade na inteligência, no humor e no prazer,” diz a diretora Patty Jenkins, sobre a estrela de Mulher-Maravilha, Gal Gadot, que está sentada ao lado dela no sofá. “Você atingiu todas as notas de força, poder e simpatia, mas há essa outra deliciosa qualidade que a Mulher-Maravilha certa pode trazer, que é que ela está confortável com ela mesma, então ela é capaz de ser engraçada, rápida e brincalhona; [ela tem] esse espírito leve e maravilhoso de uma pessoa generosa. Isso me faz querer assisti-la o dia todo, estar com ela e ser como ela.

Então, voltando-se para o estilo de luta sem glamour da heroína:

Uma das minhas coisas preferidas na Gal é…

… que ela corre muito engraçado,” interrompe Gadot, para rir.

… é que você fica fantástica, não importa o que você faça! Eu não me esforçava para fazer ela parecer boa ou ruim, eu podia entender a atuação.

Com um pouco de constrangimento, a atriz olha para o entrevistador, que não vai discordar do assunto.

Ela é super talentosa,” diz Gadot sobre a sua diretora, se recuperando. “Quando nos conhecemos pela primeira vez, comemos um sushi muito bom, estávamos falando sobre a vida e o fato de termos essa ferramenta, o título de Mulher-Maravilha, e que tantas pessoas se preocupavam com essa personagem e como estaríamos muito expostas. Ela não queria apenas fazer um filme divertido, ela queria que ele fizesse uma declaração. Vivemos em um mundo tão cínico agora, onde as piadas são rápidas, queríamos dizer algo que fosse verdadeiro, real e muito necessário agora.

E ela é uma pessoa maravilhosa,” Gadot diz, rindo, tocando o ombro de Jenkins, “e eu te amo tanto!” As duas riem, se abraçando.

Sim, uma conversa com Jenkins e Gadot é puro amor. Para ser justo, essas duas conseguiram uma volta da vitória.

Há muitas razões pelas quais a amada amazona demorou 75 anos para chegar a telona, mas numa época em que os orçamentos de 150 milhões de dólares são comuns, é difícil explicar educadamente por que nenhuma mulher recebeu as rédeas de um sucesso do tipo até agora. Jenkins é a primeira e é a primeira diretora a ter um filme de ação com arrecadação superior a 800 milhões de dólares (pelo menos 200 milhões de dólares a mais do que o recorde anterior Mamma Mia!), entre os seus muitos recordes de bilheteria.

E, enquanto os filmes anteriores do universo da Liga da Justiça tinham uma média de pontuação no Rotten Tomatoes equivalente a uma surra em um beco escuro (36%), Mulher-Maravilha é um dos filmes mais bem criticados do ano (92%). Dizer que ele foi feito com um toque mais leve é ​​como comparar o shiatsu com a carícia de uma bigorna. Mas não foi apenas o humor e a ausência de filtros verdes escuros: a própria heroína representa um idealismo em falta nos filmes sérios antecessores ao dela.

Jenkins diz, “Isso é algo em que Gal e eu acreditamos, uma super-heroína que é durona, poderosa e todas essas coisas, mas também é amorosa, cuidadosa e gentil.

Gadot acrescenta, “Ela nunca havia vivido sob qualquer mentalidade social de que os homens são melhores ou mais fortes e as mulheres são inferiores. Ninguém queria mostrar uma personagem que desse sermão e fosse zangada, porém ela está alheia a toda a questão do gênero.

Muitas vezes, quando você vai assistir aos filmes, a mulher forte é dura, fria e distante. Nós queríamos torná-la real. As mulheres sempre foram fortes e independentes, mas também [foram] calorosas, amorosas e gentis.

Gadot cita a insistência de Jenkins na verdade emocional, mesmo nas cenas de luta. A diretora a conduziu para longe da raiva, tornando os chutes e socos apenas um modo para chegar ao final.

Eu fiz alguns filmes de ação antes,“, diz a estrela de vários filmes da franquia Velozes e Furiosos, bem como Vizinhos Nada Secretos. “Esta foi a primeira vez em que eu pude fazer ação de uma maneira tão emocional.

Jenkins nunca considerou o gênero como uma limitação à sua mensagem. “Eu só quero fazer coisas bonitas, grandes e poderosas que são divertidas e interessantes, mas têm um impacto na sua vida e podem mudar o mundo,” diz a diretora sobre o plano de sua carreira. “Eu não acho que haja algum gênero que você não possa almejar isso. Eu descobri [em determinados anos] que os documentários foram as coisas mais emocionantes e incríveis; ou que os filmes da Pixar foram as coisas mais incríveis. Não há um gênero para o qual eu esteja fechada. Eu acho que a arte sempre foi assim, as coisas sérias são levadas mais a sério. Mas isso não significa que seja verdade e não penso nisso dessa maneira.

A positividade do filme pode ser um dos fatores que o separa de seus iguais e a dê uma força para a temporada de prêmios.

No outro dia, em uma sessão de perguntas e respostas na SAG, um membro disse que a sobrinha dele perdeu as duas pernas. Acho que ela tem 7 anos e assiste Mulher-Maravilha todos os dias e é assim que ela ganha poder e força,” Gadot diz. “É extraordinário.

Jenkins diz, “Todos têm uma Mulher-Maravilha dentro deles, independente do gênero.

Quando eu estava no DGA, um cara que tinha espinha bífida e que estava em uma carreira de rodas disse, ‘Passei toda a minha juventude com uma camisola, nu, sendo espetado e cutucado, não tendo controle. Quando ela tira o manto dela e entra [no campo de batalha] vestindo tão pouco, o quão vulnerável ela estava, mas ainda assim tão forte…’

Foi muito emocional para ele.

LA Times

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Na quarta-feira (15), Gal Gadot esteve no programa matinal da NBC, o Today, para divulgar Liga da Justiça.

Durante a animada conversa com Savannah Guthrie, Gal Gadot ensinou como se pronuncia o nome dela, falou sobre a sua segunda gravidez, a responsabilidade de interpretar Mulher-Maravilha, após o sucesso do filme solo e ainda esclareceu a polêmica em torno da sequência do filme da super-heroína e Brett Ratner.

Há alguns dias, foi dito que Gal Gadot se recusaria a assinar a sequência de Mulher-Maravilha, caso Brett Ratner, acusado de assédio sexual por diversas mulheres, estivesse envolvido na produção. A empresa de Ratner, a RatPac-Dune Entertainment, foi uma das produtoras de Mulher-Maravilha, graças a um acordo com a Warner Bros. Esse acordo já foi desfeito.

No fim do dia, muita coisa é escrita sobre o que eu acho e sinto. Todos sabem como eu me sinto, porque eu não escondo nada. Mas a verdade é que há tantas pessoas envolvidas em fazer esse filme, não sou só eu, e todos eles mostraram sentir o mesmo. Todos sabiam a coisa certa a se fazer,” disse Gal Gadot

Uma breve cena de Mulher-Maravilha, Batman, Flash e Ciborgue foi mostrada no início da entrevista, portanto cuidado com os spoilers.

As fotos da participação de Gal Gadot no programa podem ser conferidas a seguir.

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Vídeo de paparazzi de Gal Gadot durante a sua entrevista e bastidores do programa.

Na noite de segunda-feira, em Los Angeles, aconteceu a estreia do tão aguardado filme que reúne os maiores super-heróis de todos os tempos, Liga da Justiça. Gal Gadot esteve presente, claro, acompanhada de seu marido e posou para os fotógrafos ao lado de seus colegas de elenco Ben Affleck, Henry Cavill, Jason Momoa, Ezra Miller e Ray Fisher.

Jason Momoa, Henry Cavill, Ezra Miller, Gal Gadot, Ray Fisher e Ben Affleck

Jason Momoa, Henry Cavill, Ezra Miller, Gal Gadot, Ray Fisher e Ben Affleck

Também estiveram presentes na estreia Connie Nielsen, que interpreta a Rainha Hipólita, mãe da personagem interpretada por Gal Gadot, Diana Prince. Ambas posaram lado a lado no tapete vermellho.

Ray Fisher, Connie Nielsen e Gal Gadot

Connie Nielsen e Gal GAdot

Connie Nielsen e Gal GAdot

Amber Heard, que interpreta Mera, também compareceu à estreia e ambas as atrizes se mostraram muito felizes ao se encontrarem.

Amber Heard e Gal Gadot

Amber Heard e Gal Gadot

No tapete vermelho, a atriz foi entrevistada por Tiffany Smith, da DC All Access, e falou sobre como é estar no tapete vermelho e sobre a sua personagem no filme, Mulher-Maravilha. Em seguida, ela atendeu aos fãs que estavam no evento.

Gal Gadot posa com fã

Gal Gadot posa com fã

Após a exibição do filme, Gal Gadot esteve na festa de estreia, onde posou ao lado do presidente de Israel, Reuven Rivlin. Em apoio a Gal Gadot, também esteve presente o seu colega de elenco de Velozes e Furiosos, Ludacris.

Reuven Rivlin, presidente de Israel e Gal Gadot

Reuven Rivlin, presidente de Israel e Gal Gadot

Ela também parou para falar com fãs, ao deixar o evento.

Entrevistas de Gal Gadot no Tapete Vermelho

Gal Gadot conta como foi ver a equipe de atores vestidos em seus trajes juntos, pela primeira vez, em Liga da Justiça.

Gal Gadot se pronuncia sobre sua participação em Mulher-Maravilha 2, após alegações de que ela havia pedido que Brett Ratner fosse afastado da produção, por acusações de assédio.

Gal Gadot fala sobre sua filha mais nova e qual superpoder ela gostaria de ter na vida real, em entrevista ao Extra, na estreia de Liga da Justiça.

Mais fotos estão sendo adicionadas em nossa galeria.

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The Hollywood Reporter noticiou na tarde de hoje que o segundo filme que estrela Gal Gadot como uma das super-heroínas mais queridas da DC Comics, Mulher-Maravilha 2, teve sua data de lançamento antecipada em 6 semanas.

Este adiantamento significa que o filme que anteriormente estrearia em 13 de dezembro chegará aos cinemas, agora, em 1 de novembro de 2019. A mudança na data ocorreu por conta da estreia de Star Wars: Episódio IX, que será em 20 de dezembro (a data inicial era maio de 2019).

Gal Gadot é o destaque do jornal Estado de São Paulo do último domingo (12), no Caderno 2. Confira parte da matéria, publicada pela Isto É.

Três noites antes de percorrer mais um tapete vermelho estendido na entrada de um cinema para a estreia de Liga da Justiça, no início de novembro, em uma gélida Londres – cuja temperatura se aproximava do 0º C -, Gal Gadot ouviu de um amigo a teoria de que o filme protagonizado por ela, Mulher-Maravilha, lançado em junho deste ano, havia mudado o jogo de Hollywood para sempre – e para o bem. Depois de experiências positivas com protagonistas femininas no cinemão blockbuster, principalmente com a franquia Jogos Vorazes, de Jennifer Lawrence, o longa-metragem dirigido por Patty Jenkins, enfim, mexia no universo dos super-heróis que mais parecia um vestiário masculino. Tantas produções depois, uma personagem feminina, uma heroína, ganhou o lugar de maior destaque do cartaz – e que passa com louvor pelo teste de Bechdel, aquele criado para determinar o papel das personagens femininas em produções de cinema e televisão independentemente de pares masculinos.

Ele me disse que, mesmo subconscientemente, aquele filme transformou as coisas. Com se ele tivesse sido um gatilho para que algo mudasse”, conta Gal, sentada em uma das duas poltronas posicionadas no centro do quarto decorado como o local de trabalho da arqueóloga Diana Prince, a versão “civil” da Mulher Maravilha – sim, heróis também têm empregos. “E, dias depois, estamos conversando aqui de novo. Isso me faz pensar que talvez seja verdade.

A presença da força do feminino no Clube do Bolinha mais rentável (os filmes de heróis) de um ambiente já exageradamente machista e abusivo (Hollywood) é fundamental no discurso de igualdade de gêneros. Coincidência ou não, meses depois de Mulher Maravilha, o filme, o antigo sistema parece ter rachado.

Carreiras de abusadores passaram a afundar, um a um, a partir das denúncias contra o produtor todo-poderoso Harvey Weinstein. Vimos tombos enormes, como de Kevin Spacey, chutado para fora da série House of Cards e carta fora do baralho de Hollywood. “Se for isso, mesmo, eu fico feliz”, diz Gadot. “Acho que a ideia de alguém usar o poder que tem para manipular e conseguir algo de alguém contra a vontade dela é inaceitável. Apoio a todos aqueles que estão passando a limpo e torço para que essa mentalidade mude logo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Gal Gadot estampa a capa de dezembro da revista Elle norte-americana. Nela, Gal Gadot fala mais sobre sua carreira, conta como conheceu o marido em um retiro no deserto e dá pequenos detalhes de um projeto novo que ela mesma está desenvolvendo.

Confira a matéria traduzida pela equipe do Gal Gadot Brasil, a seguir.

As fotos da sessão especial para a revista, feitas pela fotógrafa Paola Kudacki, estão ao final da página.

Gal Gadot entra para a grande liga de Hollywood

Por Holly Milea

Da perspectiva de um mero mortal, parece o melhor trabalho temporário em uma economia temporária: super-poderes, super-gadgets e um estilo de vida super-secreto. Preso em todos os superlativos sexy, é fácil ignorar as desvantagens do trabalho: ameaças de mortes constantes, lutar contra o ma 24 horas, 7 dias por semana… E o código de vestimenta? Um macacão de latex ou poliéster com stretch, o que quer dizer zero carboidratos. E a menos que o seu super-poder seja controlar a bexiga, ei, divirta-se indo ao banheiro.

Esses são os fardos que a Liga da Justiça devem suportar e com eles, uma série de problemas de saúde mental, que vai do Estresse Pós Traumático (Batman) a depressão (Superman) ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (Flash) a ansiedade (Cyborg), a crise de identidade (Aquaman). Adicione um vício (mais uma ansiedade induzida pelas bilheterias, o novo filme da Liga da Justiça será lançado este mês) e você teria uma equipe dos sonhos co-dependente.

Então, há a Mulher-Maravilha, Diana, a princesa das amazonas, de Themyscira, uma ilha de mulheres vivendo em uma bolha de felicidade não vista pelo mundo guerreiro moderno, que pode ou não pode explicar o por quê de ela ser o único “super” que não precisa de um psiquiatra.

Tem havido um medo, por anos, de ela ser ‘limpa’ e ainda assim durona“, diz a diretora de Mulher-Maravilha, Patty Jenkins que, 75 anos depois de Mulher-Maravilha fazer a sua estreia na DC Comics, trouxe a história da super-heroína para a telona no ano passado, estrelando Gal Gadot. “A suposição de muitas pessoas sobre o que seria uma mulher durona é, na verdade, uma mulher problemática. As pessoas confundem força com defensividade e eu ficava, ‘Por que ela seria defensiva? Ela confia totalmente nas pessoas! Por que ela seria brava? Ela supõe que vai ser bem tratada. Ela não tem complexo de inferioridade!’

Espere até ela descobrir que está sendo paga 80 centavos por dólar.

Diferente dos colegas dela, Diana é otimista e pode usar alta costura diretamente da semana de moda de Themyscira: um mini vestido moldado em resina que se parece com uma armadura com influências romanas, combinado com botas acima dos joelhos, uma capa e acessórios únicos: uma tiara mágica, braceletes que desviam balas, espada e escudos herdados e um laço dourado da verdade.

Hoje, sendo quarta-feira casual em Los Angeles, Gadot emerge, sem adornos e armas, de um SUV com motorista, vestindo uma camisa de botão preta, shorts jeans e mocassim pretas Gucci. O cabelo dela brilhante está em um rabo de cavalo, um pequeno brinco de argola de diamantes brilha no sol. Sem maquiagem, com um rosto em forma de coração, lábios contornados e sorridentes; olhos em formato de amêndoas, a atriz israelense se parece muito mais nova do que 32 anos. Quando Jon Hamm conheceu pela primeira vez “essa garota animada com um boné de baseball,” no set de Vizinhos Nada Secretos, de 2016, ele diz, “Achei que ela fosse assistente da produção.”

Gadot insistiu que nos encontrássemos nesse local pequeno no shopping, pedindo que o nome ficasse em segredo. “Pois, como você pode ser, é pequeno, com apenas 8 lugares. É incrível.

Basta dizer que estamos em um restaurante de sushi e, dado os preços no menu, os peixes foram capturado à mão pelo Aquaman esta manhã. Gadot pede uma cerveja e o omakase (escolha do chef), dizendo ao garçom: “Sem ovas de salmão, sem ouriço do mar, sem moluscos“. O mesmo aqui.

Você vai amar,” ela diz. “Eles tiram a temperatura do peixe, cortam o peixe de uma certa maneira… Você se lembra do Nazista da Sopa, de Seinfield? ‘Sem sopa para você!’ É assim, eles dizem, ‘Sem wasabi! Sem shoyo!’ Eles cuidam do seu paladar.” Ela arqueia uma sobrancelha, separa os palitinhos dela e se aproxima. “Não fale, de jeito nenhum, sobre esse lugar.

O sotaque definitivamente dá certo para ela. Profundo e exótico, faz qualquer coisa que ela diga mais engraçados, ou mais triste, ou mais bobo, ou mais sério e, no geral, extra encantador.

Ainda mais, quando ela inverte as palavras ou omite alguma de uma frase, ou franze a sobrancelha enquanto tem dificuldade com uma definição: “O que isso significa, resoluto?

Quando eu estava em Israel, bem antes de Mulher-Maravilha, bem antes de qualquer coisa, eu fui até a minha técnica de diálogo e disse a ela, ‘Meu objetivo é dentro de um ano falar inglês americano por completo.’ Ela disse, ‘Ga, querida,’ ela tem uns 60 e poucos anos, adorável, cheia de compaixão. Ela disse, ‘Gal, isso não vai acontecer.’ E eu fiquei tipo, ‘Do que você está falando? Eu virei aqui três dias por semana, por algumas horas, como se fosse um intensivo!’ Ela disse, ‘Mas por quê você ia querer fazer isso?’ Eu disse, ‘Eu sou a minoria com o meu sotaque. Eu tenho que interpretar a garota internacional. Não há uma garota não internacional em todos os filmes! Isso diminui a minha oportunidade.‘”

Ela disse, ‘Sim, mas quer saber? Você é especial assim. Você tem ideia de quantos americanos existem em Los Angeles, procurando por papeis, que se parecem mais americanos do que você, soam mais americanos do que você? Apenas seja você.’

“Ela me lembra um cavalo árabe. Única. O modo como ela anda. O jeito que o cabelo dela cai perfeitamente nas costas dela. Como ela se comporta.“- Diretor de Mente Criminosa, Ariel Vromen

O conselho mostrou-se profético. Em 2013, os executivos da Warner Bros. e o diretor Zack Snyder estavam fazendo testes de câmera com as selecionadas para interpretar a Mulher-Maravilha em Batman v Superman: A Origem da Justiça. O papel era pequeno, uma espécie de introdução. Eles precisavam de um certo alguém que era cheia de carisma, beleza, força e graça, e que agradasse todos os gêneros, alguém com audácia, para liderar a uma franquia em potencial.

Esta foi a primeira vez que a colocamos diante da câmera,” Snyder se lembra. “Era um teste de química com Gal e Ben [Affleck], gravando uma cena que eu escrevi para ver como o Batman e a Mulher-Maravilha, como Bruce Wayne e Diana Prince, ficariam e se pareceriam quando estivessem juntos. Era uma cena intensa, um momento em que eles estão discutindo sobre os planos dele e se ela se uniria a ele ou não. A tensão aumenta e bem no final, ela diz, ‘Não sou eu que estou com problema aqui, Bruce; é você.’ Você realmente via que ela era páreo para o Ben. Era para ele olhar ela sair e sair de cena. Em vez disso, ele a olhou sair, se virou devagar, olhou diretamente para a câmera e fez uma cara, um ‘Uau, ela é incrível!’ Sabíamos que era ela.

Eu não tinha visto nenhum dos outros trabalhos dela,” Affleck admite. “Mas era claro que não só ela podia fazer isso, mas a gente realmente precisava dela; que ela podia fazer algo excelente com essa personagem que é muito mais difícil de interpretar do que parece. que não divaga por aí ou é séria demais, é uma linha tênue. E ela também está sendo o ponto de partida, como uma super-heroína, carregando um filme. Havia muita pressão nela.

Você nunca imaginaria. Após Batman v Superman, Gadot esteve em Atlanta gravando a subestimada comédia de espiões, Vizinhos Nada Secretos, estrelando ao lado de Hamm, Zach Galifianakis e Isla Fisher. “Eu sabia que ela estava prestes a entrar em Mulher-Maravilha, Liga da Justiça e tudo isso,” Hamm diz. “E eu só pensei, ai Deus, você está prestes a começar a correria pelo mundo. Mas ela estava tão otimista e tranquila quanto a isso. Se tiverem muita coisa acontecendo, muitas pessoas se comportam mal. A Gal, nunca.

Quando vimos nossos três super-heróis pela última vez, em Batman v Superman, eles salvaram a raça humana, mas perderam um jogado, quando o Superman se sacrificou pela equipe, atingido por uma lança com kriptonita. No novo filme Liga da Justiça, o planeta todo está, novamente, sobre ameaça e não só pela Coreia do Norte.

O dever chama e Batman e Mulher-Maravlha se juntam novamente, chamando outros heróis do panteão da DC para a luta. “Há uma espécie de Sete Homens e um Destino na formação da equipe,” diz Ben Affleck. E entre os dois personagens principais, um retorno a questão da química: será que eles vão, será que não vão, por quê não vão? Divertido!

Um garçom colocar dois pratos, cada um com uma fatia de algo translucido e fala, “Sem molho shoyo!” “Oh, é tão pequeno e fofo!” Gadot diz. Ela o coloca na boca, mas uma grande cena para saboera-lo. “Olhe para nós. Você é de Oklahoma!” (Na verdade, da Dakota do Sul) “Sou do Oriente Médio. E estamos aqui e o sol está brilhando e estamos comendo ótima comida. Deveríamos estar agradecidas.

Eu estive no restaurante de sushi em Atlanta que Gadot e Jenkins se encontraram pela primeira vez, em 2015, para discutir a visão delas para Mulher-Maravilha. Jenkins foi contratada as pressas, após a diretora original de Mulher-Maravilha, Michelle MacLaren, saiu por conta de diferenças criativas. (Foi dito que MacLaren, conhecida por alguns dos episódios mais eletrizantes de Breaking Bad, Game of Thrones e The Walking Dead, tinha uma Mulher-Maravilha mais durona em mente.)

A Patty disse, ‘O que queremos que esse filme seja?’” Gadot diz. “Concordamos que tínhamos que aspirar por uma obra-prima com uma mensagem profunda, não de um jeito pesado, mas de modo divertido, interessante.

Sem problema. Jenkins, mais conhecida pelo filme de 2003, Monster: Desejo Assassino, um filme biográfico aclamado pela crítica sobre a assassina em série Aileen Wuornos, sabia exatamente para onde ir no projeto da super-heroína. Como ela havia feito na humanização de Wuornos, ela viu o seu assunto Diana Prince de dentro para fora. “Eu estava interessada em fazer uma viagem do ponto de vista dela”, diz Jenkins. “Eu era apenas uma pessoa olhando para outra e contando uma história sobre o que é ser ela“.

Veja a sequência emocionante em que a Mulher-Maravilha anda, depois corre, sozinha pelo campo da Primeira Guerra Mundial, Terra de Ninguém, para libertar um pequeno vilarejo dos soldados alemães. Ela não sabe que ela não vai morrer, é só enquanto ela luta para sobreviver a distância que ela descobre a verdadeira força dos super-poderes dela. “Aquele cena é o meu orgulho e minha felicidade,” diz Jenkins. “Porque é sobre a transformação dela em Mulher-Maravilha, ao invés de assistirmos a Mulher-Maravilha aparecer.” Bem ali está o motivo do filme de US$149 milhões ter arrecadado US$820 milhões no mundo todo.

Para Gadot, a cena é especialmente pesada. O avó dela, Abraham Weiss, tinha 13 anos quando os nazistas invadiram o vilarejo dele de Munkács, na Checoslováquia. O pai dele morreu lutando no exército. Weiss, a mãe dele e o irmão foram mandados para Auschwitz; ele foi o único da família dele que sobreviveu ao campo. Weiss faleceu em 2014. “Uma das histórias que estou desenvolvendo é sobre o Holocausto da perspectiva das mulheres,” Gadot diz. “Sinto que essa é parte da minha missão, contar a história, porque foi um horror e ele sempre me disse que se você esquece a sua história, ela se repetirá, especialmente agora, com tudo o que está acontecendo.

Gal foi uma escolha perfeita em uma época em que a notícia é sobre igualdade e justiça para as mulheres, igualdade e justiça pelo mundo,” diz Robin Wright, que interpreta a tia de Diana, Antíope, uma feroz general de Themyscira, no filme. “Que ela encarnou a super-heroína que representa isso? É por isso que o filme se tornou global. Foi sincronismo.

Você pode imaginar a Mulher-Maravilha com um sotaque americano? Não.

Não que eu queira trazer notícias falsas, mas é bem possível que Gadot seja uma agente Mossad, numa missão para recrutar uma Liga da Justiça só de meninas. Das agentes mostradas escolhidas até agora, outros membros provavelmente incluem:

Penélope Cruz: a atriz preferida dela.

Wright: a estrela do filme preferido dela, A Princesa Prometida, havia acabado de jantar com Gadot e Jenkins quando ela me ligou sobre nossa entrevista. “Dissemos, ‘Temos que fazer isso uma vez por mês!’

E a colega de elenco de Gadot de Batman v SupermanLiga da Justiça, Amy Adams? Definitivamente dentro, ela sabendo ou não. “Curiosamente, estou com a Gal agora“, diz Adams, rindo no telefone enquanto as crianças das duas estrelas brincam no fundo. Gadot diz alguma coisa, e Adams grita: “Não, qual é! Eu vou falar bem você!

No primeiro filme, a gente só tinha uma cena juntas, quando o Superman morre, então tudo o que eu sei dela é fora do trabalho,” Adams continua. “Eu sou um pouco tímida e a Gal disse, ‘Eu não ligo se eu tiver que ir atrás de você! Você vai me responder de volta e a gente vai ser amigas.’ E quer saber? É difícil dizer que você se sente lisonjeado com alguém que busca uma amizade, mas fiquei realmente lisonjeado por ser uma pessoa tão interessante. Estou me segurando, porque ela está bem aqui. Ela é definitivamente é material para uma girl-crush.”

O diretor de Velozes e Furiosos, Justin Lin, sentiu algo misterioso sobre Gadot desde o começo. “Ainda me lembro da fita de audição dela,” diz Lin, que deu a atriz a sua grande estreia em Hollywood, em 2009. “Muitas outras atrizes estavam encenando a cena. Mas Gal fez eu me sentir tipo, quero realmente conhecer mais sobre ela. Havia tanta profundidade, como uma vida anterior. Há um desconhecido nela.” Ele ri, talvez com as falsas novidades. “Toda vez que eu me sentava com ela para uma refeição, eu descobriria algo:” É, eu estive no exército…’

Isso é certo sobre Gal Gadot, de acordo com o dossiê do Departamento da Liga da Justiça: ela cresceu com sua irmã mais nova, Dana, nos arredores de Tel Aviv, em Rosh Ha’ayin, uma pequena cidade onde seu pai, Michael, trabalhou como um engenheiro mecânico e sua mãe, Irit, como professora de educação física.

Foi, segundo Gadot, uma infância feliz: “O esporte era uma grande coisa, o tédio é o maior inimigo da juventude. Quando os adolescentes estão ocupados, especialmente com os esportes, eles podem liberar todas essas endorfinas, toda a frustração ou o que quer que você sinta.” Dito isto, ela também mostrou um talento precoce para a clandestinidade. “Eu era muito boa em me esconder! Sabe, matando aula; você vai sair e diz para seus pais que é com a amiga e vai para a casa do namorado…

Uma líder de torcida de futebol, jogadora de basquete e dançarina de hip-hop, Gadot se formou no ensino médio e foi coroada Miss Israel, em 2004, antes de servir os dois anos obrigatórios nas Forças de Defesa de Israel (IDF), como instrutora de combate.

Com sua obrigação cumprida, Gadot, em toda velocidade, ela entrou na faculdade de direito, começou a modelar, deixou a faculdade de direito e foi escalada em Bubot (“Babes”), uma série  israelense de curta duração que seguia a vida de modelos.

Dentro de dois anos, ela conseguiu Velozes e Furiosos. Entre reprisar o papel dela em três filmes da franquia, um pequeno papel levou a outro: Entourage, Uma Noite Fora de SérieEncontro Explosivo, Mente Criminosa e antes que você possa dizer “Red leather, never yellow leather” (couro vermelho, nunca couro amarelo) cinco vezes, rápido, o exercício de diálogo dela, Gadot tornou-se a estrela de cinema mais poderosa de Hollywood.

Meu agente a conheceu e disse, ‘Você e a Gal têm que fazer uma comédia juntas’,” diz Adams. “Então, agora estou escrevendo uma comédia para nós. Não estou brincando. Vamos incluir a Isla [Fisher], também.

Enquanto isso, de volta ao nosso secreto restaurante de sushi, em Los Angeles, cada vez que Gadot inclina a cabeça e toca aquela pequena argola de diamante na parte superior de sua orelha esquerda, como um sinal de que ela está de acordo, o garçom bravo aparece. “Sem wasabi!

Gadot fez o piercing na cartilagem em seu aniversário. “Eu fiz 28 anos, e fiquei, meu Deus, este é um número sério, todo mundo tem seu número. Eu disse, ‘Tenho que fazer algo para me fazer sentir jovem novamente. Sou muito covarde para fazer uma tatuagem.

Ela deixa as tatuagens para o marido, o desenvolvedor imobiliário multimilionário de 42 anos, Jaron Varsano. “Mas,” ela diz com carinho, “eu não posso te dizer o que elas são.

Os dois se conheceram em um retiro no deserto, onde Gadot, então com 20 anos, tinha ido para curar múltiplos coração partido. “O namorado do colégio com o quem eu tinha ficado por quatro anos e eu, nós seguimos caminhos separados e eu estava bem com isso“, ela diz. “Mas, então, eu tive outro relacionamento e outro relacionamento, todos eram mais velhos do que eu e eles ficavam terminando comigo! E eu sou como um filhote de Labrador, eu só preciso estar com alguém, ser amada e abraçada. Eu amo rir. Eu não gosto de ficar sozinha.”

Então, como um cachorro que foi chutado, eu fui ao deserto e eu levei Falling in Love: Why We Choose the Lovers We Choose [Apaixonando-se: Por Que Escolhemos os Amantes Que Escolhemos, em tradução livre], um livro de psicologia. Ele fala sobre o que nos desencadeia como pessoas, pelo o que somos afetados, o fato de que não existe algo como se apaixonar. Você não cai na rede do amor.

Então, Jaron chegou lá com amigos em comum e todos nós ficamos na mesma área da duna, em barracas. Ele veio e não olhou para mim duas vezes. E isso me irritou,” ela olha para o outro lado. “O que há com o excesso de confiança?

A comida era tão ruim ali, tipo, era uma comida nada atraente“, continua Gadot. “Então, Jaron dirigiu até esse restaurante francês há 1:30 de lá, comprou o menu inteiro e trouxe de volta para todos. Aí, estávamos sentados em um círculo e eu sou como a Mamãe Ganso, servindo comida para todos e levando o prato até eles; e ele estava sentado ao meu lado. Eu simplesmente coloquei minha mão na coxa dele e foi isso. Começamos a conversar até o sol se pôr e o sol nascer. Foi a noite toda.

Eles têm duas filhas, Alma, de cinco anos e Maya, de nove meses; e após nove anos de casada, Gadot ainda está apaixonada. “Ele é o meu super-homem, o amor da minha vida… até onde posso ir com isso?” Muito longe.

Com a conta paga, Gadot pisca um tchau ao chef atrás do sushi bar e, com um sotaque americano perfeito, diz: “Incrível, cara! Adorei! ” Ela aponta para um sinal: SEM SPICY TUNA ROLL. SEM CALIFÓRNIA ROLL. “Viu, eu disse“, ela diz.

Do lado de fora, o SUV preto está parado. Gadot, numa generosa tentativa de sequestro, me oferece uma carona para o hotel. Dentro do carro, ela apresenta uma amiga, Noa Dolev, que está sentada na frente, ao lado do motorista. As duas mulheres se conheceram desde os oito anos. Dolev, 32 anos, trabalha para uma organização de paz que se concentra no conflito israelo-palestino. “Noa era uma recém-chegado” na escola delas, diz Gadot. “A professora disse à mãe de Noa que ela deveria ligar para a minha mãe e que deveríamos brincar juntas e foi isso!

Sim, e daí nos apaixonamos!” Dolev ri.

Pergunto a Dolev como a melhor amiga dela era quando criança e ela se volta para Gadot. “Posso dizer?

Elas começam a falar em hebreu, rápido, duas menina rindo.

Na escola, Gal era a garota mais amigável e muito popular,” diz Dolev. “Eu era o problema.

Noa é muito leal“, Gadot diz, sorrindo para ela.

À medida que viramos na esquina para a Sunset Boulevard, um outodoor da Liga da Justiça de un 13 metros aparece. Lá está ela, a Mulher-Maravilha, em destaque. Bem o tipo de super-herói que esse planeta louco, incerto, perigoso e giratório precisa.

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Gal Gadot estampa a capa da edição de dezembro da revista israelense Shiva Leilot. Na entrevista, Gal Gadot conta como quase desistiu de atuar, sobre a sua segunda gravidez, durante as gravações de Liga da Justiça e sobre o filme em si.

Uma mulher corajosa

Gal Gadot queria desistir de tudo e retornar à universidade, em Israel, mas aí veio a proposta de interpretar Mulher-Maravilha, que a tornou, da noite para o dia, na estrela mais quente do mundo. Um pouco antes da estreia de seu novo filme, Liga da Justiça, ela fala sobre a gravidez durante as gravações, o assédio sexual em Hollywood e como é ser conhecida em todo o planeta.

Por Raz Shechnik, Londres

Nem o Superman conseguiria ter passado pela fila de seguranças, assessores de imprensa, pessoal do estúdio e sabe Deus quem são todas essas pessoas que estão, no momento, ao redor da Mulher-Maravilha. Gal Gadot, não há outro jeito de dizer, não é acessível. O tanto de minutos que cada jornalista recebe, mesmo os de Israel, mesmo alguém que a conhece, é contado. Para mais algumas perguntas pelo telefone ou pelo Whatsapp, nem há o que se dizer. Sem muitas mensagens. Se em nossa entrevista anterior, cerca de um ano atrás, quando Batman v Superman estreou, ainda era possível ter uma pequena conversa com ela, agora um minuto de Gadot é medido em ouro. E cerca de 20 pessoas ao lado dela se preocupam que ninguém os desperdiçarão com besteira.

Gadot, deve-se notar, ainda é encantadora, quando você a conhece pessoalmente e não há sequer o menor nível de arrogância. Estas são as circunstâncias.  E as circunstâncias são favoráveis. No último ano ela se tornou uma das maiores estrelas do mundo. Isso não é um exagero israelense, que transforma uma atriz que tem algumas falas com Tom Cruise em uma estrela que tomou Hollywood. Mulher-Maravilha, o filme que Gal Gadot estrelou, fez, como todos sabem, história. O filme mais lucrativo dirigido por uma mulher, umas das maiores bilheterias dos Estados Unidos e, também, amplamente criticado. Gadot esteve na capa de todas as revistas de respeito, apresentou o Saturday Night Live, esteve proeminente nos pôsteres, era a fantasia mais desejada da noite de Halloween e estava em cada merchandising possível. “Ela tem tudo,” disse Kelly Clarkson, a quem Gadot pode ter querido estar no lugar dela, em 2003.

Gadot, com 32 anos, talvez seja o maior trunfo da Warner Bros Studios, a mulher que vale milhões. E quando os estúdios de Hollywood querem te manter, eles te dão os melhores materiais e cuidam de você. E, no fundo, a Mulher-Maravilha, um símbolo feminista, tem que lidar com uma série de perguntas sobre o único assunto atualmente falado em Hollywood e no mundo ocidental: assédio sexual. Gadot, que ao longo dos anos se tornou uma estrela israelense com boas respostas para entrevistas americanas, deu a seguinte declaração: “A Mulher-Maravilha não permitiria que ninguém usasse as forças deles contra a vontade dela.

É um momento simbólico para ser a Mulher-Maravilha, com histórias de assédio sexual na indústria cinematográfica surgindo todos os dias.
Todo momento é bom o suficiente para mostrar uma mudança séria nesta questão do assédio sexual e espero que este seja realmente o começo de uma mudança. Acho que a mentalidade dos homens em posições de poder que usam o poder que têm contra as mulheres ou em geral é um comportamento que deve ser condenado e deve sumir. Acho que hoje, algo a mais acontece, há indícios de mudanças. Como mulher e como mãe de duas meninas, eu só posso apoiar e proteger essas mulheres e esperar quanto a isso, o mundo seja realmente diferente.

Alguns anos atrás, quando Gal Gadot ainda não entendia Hollywood direito, ela contou a Yedioth Ahronoth [jornalista israelense] sobre uma experiência desagradável que ela passou no set da série Entourage. “Eu simplesmente não gostava de trabalhar com eles,” ela disse na época. “Adrian Greiner (Vince, a estrela da série) era simplesmente repulsivo. Não foi algo traumático, ou eu teria dito. Grenier tentou dar em cima de mim. Quando eu expliquei para ele que eu era casada e pedi para manter o nosso relacionamento em uma linha profissional, fui legal e sem machucar ninguém com o ego, ele se virou contra mim e começou a se comportar da maneira mais desagradável. O círculo se fechou mais tarde, quando conheci Mark Wahlberg (o produtor de Entourage), no set do filme Uma Noite Fora de Série e ele me perguntou como tinha sido no set de Entourage. Eu contei a ele o que tinha acontecido. Após isso, ele fez questão de mandar flores para o meu hotel, como desculpas. Um homem incrível.

E quando você se lembra dessa história, hoje?
Eu nunca passei por assédio sexual, nem lá e nem em nenhum outro set, eu tive momentos em que senti que os homens estavam se comportando de maneira inadequada. Isso não foi assédio, mas foi um comportamento inadequado no sentido de que ‘eu sou homem e você, mulher’. Para mim, não foram pêssegos e rosas no tão chamado ‘mundo dos homens’. Desde que me juntei à Mulher-Maravilha, tenho sido perguntada se eu sou feminista e eu sempre acho essa pergunta meio estranha. Toda mulher e homem deveriam ser feministas. Ou eles serão apenas machistas.

Ezra Miller, um colega de elenco, intervém, “Espero que toda essa história de Weinstein chegue a todos os aspectos da sociedade e dos locais de trabalhos, para que essas energias sejam removidas do mundo.

É o final da manhã em Londres e as estrelas de Liga da Justiça saem para uma foto em grupo, diante da imprensa, dos fãs e de todo o mundo do quadrinho que vê o novo filme como mais um capítulo da bíblia dele e se atém a cada detalhe da trama. Até mesmo eles parecerem começar a aceitar Gal Gadot, após a primeira rodada de queixas sobre o tamanho dos seios dela e de que sua bunda era muito pequena. “Eu expliquei a eles que se você for procurar na fonte, as amazonas tinham apenas uma mama, então qual é,” ela lembra os jornalistas britânicos, que novamente estão falando da mesma coisa.

Na equipe dos sonhos do diretor Zack Snyder, que saiu do filme por conta de circunstâncias trágicas e foi substituído por Joss Wehdon, um deles se chama Ben Affleck, um ator e cineasta com um histórico brilhante que inclui um Oscar e, ao lado dele, está Henry Cavill, o Superman. Um a um, os repórteres competem os elogios com os fãs, e as colunistas de moda gostam de falar sobre o “deslumbrando” vestido da Mulher-Maravilha.

A menina de Rosh Ha’ayin se acostumou com o status de ícone?
Eu realmente não penso nisso, sobre as coisas grande, só estou tentando ser eu mesma, por mais cliché que seja. Toda a glória é apenas uma consequência. Eu não penso na fama, nunca trabalhei para me promover, nem mesmo no começo.

É difícil lidar com um sucesso tão grande?
Os anos em que eu era famosa em Israel me acostumaram a tudo isso. Agora, sinto nos Estados Unidos o mesmo que senti em Israel. Primeiro, eu era famosa apenas em Israel, agora, talvez, em todos os lugares.

Você diz isso com indiferença. É uma coisa muito grande. A privacidade não existe mais.
Era legal poder ir a qualquer lugar sem que eu fosse solicitada o tempo todo por fotos ou autógrafos, mas eu não desistiria disse em nenhuma circunstância.

Miller, comenta, “Eu tenho um bom lugar para você passar férias, sem tudo isso: o Alasca

Gadot: “Conte-me mais.

Hoje em dia, eles também a conhecem no Alasca, mas até Mulher-Maravilha, ela tinha conseguido papéis pequenos e um com mais aparições na franquia de Velozes e Furiosos. Algo que não era suficiente para ela. “Antes de conseguir o papel de Mulher-Maravilha, eu pensei que nunca voltaria para Los Angeles,” Gal Gadot contou à revista Glamour. “Eu achei que ficaria em Israel, trabalharia como atriz aqui e ali, voltaria para a faculdade e faria outra coisa. Houveram tantas respostas negativas. Cheguei a um ponto em que eu não queria mais fazer isso. Tipo, porque estou fazendo isso, ouvindo não de novo e de novo? Eu me perguntei, ‘Para que eu sirvo?’ Aí consegui o papel de Mulher-Maravilha.

Zack Snyder foi o primeiro que realmente acreditou em mim e me deu uma enorme oportunidade,” ela continua. “Bem no último minuto, antes de eu jogar a toalha, ele veio com a oferta de Mulher-Maravilha, nunca esquecerei aquele momento.

O mundo ainda está interessado na história de Miss de Gadot, que começou quando a mãe dela e uma amiga a inscreveram na competição. “Após eu perceber que estava dentro, eu disse a mim mesma que eu continuaria, não importa o que acontecesse. Eles provavelmente nos levariam para fora [do país] e eu contarei aos meus netos que a vovó participou de um concurso de beleza.

No Miss Universo, ela estava menos colaborativa. “Eu não queria ganhar, achei que fosse muita responsabilidade para uma garota de 18, 19 anos, então eu decidi que não queria continuar com a competição, fingindo não saber inglês e usando as roupas erradas.

Liga da Justiça, que estreia na próxima semana, continua do final de Batman v Superman: A Origem da Justiça, quando Superman morreu. Bruce Wayne, o Batman, se junta à Diana Prince, Mulher-Maravilha, para salvar o mundo dos vilões. O casal de super-heróis (com sutil alusões românticas durante a trama) juntaram-se a outros heróis da DC Comics, o Flash (Ezra Miller), Aquaman (Jason Momoa) e Cyborg (Ray Fisher). E quanto ao Superman morto? Sinto muito, sem spoilers. E sem diálogos de Tarantino, não que alguém fosse procurar por um. Parece que depois de tentar criar um filme de super-herói obscuro e cheio de reflexões filosóficas depressivas em Batman v Superman, Snyder retornou ao padrão básico da união dos aliados contra o mal onipotente de outro mundo, é claro. Diferente do filme anterior, em que as cenas de Gadot estavam aqui e ali, desta vez ela chegou como uma grande estrela, após o arrebatador sucesso de Mulher-Maravilha. Os diversos meios sabiam que os produtores de Liga da Justiça ficaram encantados com o que aconteceu com Mulher-Maravilha e quiseram aumentar o papel dela, o que necessitou de mais gravações. Gadot veio bem preparada para a pergunta. “Eu acho que isso não é verdade,” ela diz com um sorriso. “Todos nós tivemos que fazer mais gravações para aumentar o que era necessário na trama.

Até que ponto o sucesso financeiro da Mulher-Maravilha te colocou a prova?
Eu nunca pensei sobre a parte econômica, mas sobre como conseguir os melhores resultados e você não consegue estar menos estressada, porque o filme anterior foi assim… Você sabe que no mundo de Hollywood, você está em alta em um certo período que não vai te garantir nada do que virá. Posso dizer que o resultado do filme mostra que o mundo estava pronto para um filme de ação ser liderado por uma mulher.

Gal tirou a pressão de nós, vamos ser honestos,” diz Ezra Miller. “A Mulher-Maravilha salvou o mundo no filme anterior e tirou a pressão da gente desse filme, a pressão não faz bem para os atores, sabe.

Gadot estava grávida em algumas das cenas do filme, mas o set não soube até mais tarde. “Eu não queria tratamento especial, então eu não anunciei para meus colegas que estava grávida, mas quando não houve escolha, cortamos o traje na área abdominal para que eu ficasse mais confortável, foi muito engraçado, a Mulher-MAravilha com uma barriga.

A filha mais velha dela, Alma, recebeu um pequeno papel em Mulher-Maravilha como uma garota pobre. “É a melhor coisa que aconteceu comigo,” Gadot disse certa vez. “Mas cada vez que alguém fala comigo sobre a Mulher-Maravilha, ela toma conta da conversa completamente e diz, ‘Ouça, estávamos em Londres, foi incrível. Eu trabalhei no set, mas eu tinha uns 3 ou 4 anos, então eu não fiz todas as cenas. Eu não queria fazer, porque não queria ser famosa.

Qual momento das gravações você não se esquecerá?
Quando nós entramos com os nossos trajes de super-heróis pela primeira vez, eu não conseguia parar de rir, porque foi tão surreal. A gente gravara uma cena muito intensa, eu veria o traje de alguém e ria de novo.

E qual é o seu figurino preferido no filme?
O meu, sem dúvidas.

Você planejou a sua segunda gravidez?
Poderia se dizer que sim. Eu queria um momento em que eu não estivesse muito grávida para as gravações de Liga da Justiça ou para a divulgação de Mulher-Maravilha. Eu tive sorte e aconteceu assim. Eu passei pela gravidez durante as gravações do filme e não foi fácil. Enxaquecas, enjoos matinais, coisas assim, mas você se acostuma a se sentir um lixo e a gravar direito. Não há escolha nessa indústria, mas meus colegas de elenco foram maravilhosos e sensíveis e, no geral, nunca me senti tão protegida.

De verdade, você achava que Mulher-Maravilha se sairia tão bem?
Pareceu que Patty Jenkins (a diretora do filme) e eu estávamos fazendo algo especial. A Patty era a capitã e fazia coisas mágicas, a experiência foi muito especial. Todos no filme estavam bastante focados em criar uma atmosfera incrível durante as gravações. Fisicamente, não foi um projeto fácil de maneira alguma. Trabalhamos 6 dias por semana, por 6 meses e era um trabalho que exigia muito. Nos meus sonhos mais loucos, eu nunca imaginei que conseguiria um sucesso ou um papel tão grande ou um. Sim, durante as gravações sentimos que algo especial estava acontecendo lá. Quando eu vi parte do filme, eu senti muito orgulho e me senti muito bem em ser a Mulher-Maravilha.

Tradução de adaptação: Gal Gadot Brasil

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