Em 2016, o Collider esteve no set de Mulher-Maravilha, em Londres, para acompanhar as gravações de um dos filmes mais aguardados de 2017. Matt Goldberg teve a chance de entrevistar Gal Gadot que falou sobre trabalhar com Chris Pine (Steve Trevor) e Connie Nielsen (Rainha Hippolyta) e sobre as super-heroínas que as meninas podem admirar. A atriz também contou algumas curiosidades sobre o filme.

Gal Gadot está em vantagem, quando se trata em interpretar a Mulher-Maravilha. Enquanto Batman v Superman recebeu uma paulada da crítica, o desempenho de Gadot como a super-heroína Amazona foi calorosamente saudada pelos fãs, que sentiram que ela incorporou perfeitamente a personagem que eles estiveram esperando para ver na telona há décadas. Enquanto a presença dela em Batman v Superman foi apenas um mero instantâneo da personagem, ela levou bem o papel e deixou os fãs querendo mais.

Em fevereiro de 2016, alguns colegas jornalistas e eu (Matt Goldberg) fomos a Londres visitar o set de Mulher-Maravilha e, durante nossa visita, pudemos falar com Gadot, que havia acabado de correr em uma esteira diante de uma tela verde, “desviando” de balas com o bracelete mágico dela.

Collider: Então, qual é a melhor coisa em poder interpretar a Mulher-Maravilha?
Gal Gadot:
Isso não. [Risos] A melhor parte? De alguma forma, acho que eu sempre quis interpretar a Mulher-Maravilha, sem mesmo saber. Há 8 anos, quando eu havia acabado de começar a carreira de atriz, eu costumava viajar a Los Angeles e fazer reuniões gerais com diferentes produtores, roteiristas, diretores e eles ficavam me fazendo a mesma pergunta todas as vezes, “Qual é o seu papel dos sonhos?” E eu sempre dizia que estava aberta a todos os gêneros, contanto que as histórias fossem interessantes o bastante. Mas se você está realmente me perguntando o que eu gostaria de fazer, é mostrar o lado mais forte das mulheres, porque sinto que não há histórias o suficiente sendo contadas sobre mulheres fortes e mulheres independentes. Eu mal sabia que, cinco anos mais tarde, conseguiria o papel.

Collider: Qual é a coisa mais desafiadora, e sinta-se a vontade para dizer correr em uma esteira para sempre.
Gal Gadot:
Estávamos falando disso mesmo esta manhã, porque estamos passando por umas semanas muito, muito intensas. Patty estava dizendo “Eles realmente estão te testando para ver se você é realmente a verdadeira Mulher-Maravilha,” porque eles decidiram gravar o filme em Londres, o que é fantástico, no inverno, o que é menos incrível, enquanto eu visto, gravando cenas externas, noites, dias, duas semanas de noite a caminho, vestindo um pedaço de borracha muito pequeno, correndo, pulando, precisando lutar, com tudo isso. Então, é a fisicalidade disso que é realmente um desafio, mas eu gosto. Eu curto isso. Me deixa feliz, depois de eu fazer isso direito, mas eu realmente amo muito a Diana. Eu amo tudo nela. Amo a história. Ela tem o coração de um ser humano, poderes de uma deusa e um cérebro muito sábio. Então, ela é tudo. Eu a amo.

Collider: Quem é o seu personagem preferido, além de você mesma. Quem é seu personagem preferido até agora?
Gal Gadot:
O principal é Steve e eu realmente, realmente gosto de trabalhar com o Chris. Ele é um ótimo parceiro, engraçado, demos muitas risadas no set e acho que o personagem dele, em comparação com o da Diana, eles são muito yin e yang. Ele é este cara realista, que passou por muita coisa e sabe o que a humanidade é capaz de fazer, e Diana é essa jovem idealista que pensa que o mundo é branco, muito puro, que a humanidade só é boa. Há algo neles, sabe, uma vez que eles se conhecem, ele ensina a ela tanta coisa sobre a realidade e a humanidade, e ela trás a esperança de volta a sua vida.

Collider: Saindo um pouco do foco principal, este filme se passa cerca de 100 anos antes dos eventos de Batman v Superman, então você meio que mudou sua abordagem para a personagem?
Gal Gadot:
Bem, a personagem é diferente. A personagem que gravamos, que eu interpretei em BvS era mais realista, mais madura e mais mulher, sabe, uma mulher madura. Neste, é o crescimento de Diana. Esta é a história dela, ela começa como uma menina muito inocente, ingênua, positiva, feliz, procurando pelo bem. Mas em BvS, ela passou por muita coisa. Ela já entendeu o que, a complexidade dos seres humanos, e ela é mais… Ela é mais madura em BvS.

Collider: Sobre isso, ouvimos no trailer mais recente, sua voz. Em Batman v Superman, você meio que tem…
Gal Gadot:
O que você acha da minha voz? Muito baixa?

Collider: Um sotaque meio americano, inglês…
Gal Gadot:
Você esperava um sotaque mais do tipo… [faz um som mais agudo e alto]

Collider: Mas o sotaque foi o que eu achei interessante, então estou curioso, ela tem esse sotaque quando ela está em Themyscira ou isso é algo que ela desenvolve ao longo do seu curso com a humanidade?
Gal Gadot: O sotaque dela, neste, em Mulher-Maravilha é mais de Themyscira. Ela ainda tem um pouco do sotaque de Themyscira em BvS, mas ela sabe centenas de idiomas, começando aqui, começando em Themyscira, ela é bem educada para conhecer, para falar todos os idiomas que podemos imaginar, e neste, ela tem um sotaque mais carregado de Themyscira do que em BvS; é mais sútil, mas ainda está lá. Ela ainda é uma estrangeira. Ela ainda é de um lugar diferente.

Collider: Podemos falar sobre o relacionamento de Diana com a mãe dela?
Gal Gadot:
Claro, pergunta interessante. Então, como você sabe, Connie Nielsen interpreta a minha mãe. Ela é fantástica e eu realmente gosto de trabalhar com ela. Diana é uma garota muita obstinada. Ela foi a única criança criada nessa ilha, então ela é a criança especial e foi muito, muito cuidada por sua mãe, por suas tias e todas as mulheres de Themyscira. Então, ela é muito, muito obstinada. A mãe dela é muito obstinada. A mãe dela é muito protetora, também, e elas têm o confronto natural que uma mãe tem com a sua filha, com suas filhas, a primeira vez que elas querem sair de casa. Então, é um momento muito emotivo, um momento muito intenso, mas o que eu amo na Diana é que em tantos momentos diferentes nesta história, ela tem conflitos que todos os seres humanos têm, sabe. Ela é muito… É fácil se identificar com ela. Ela é muito acessível. É isso.

Collider: Além da sua força física, o que você acha que faz dela uma heroína tão feminista?
Gal Gadot: Além dos poderes dela?

Collider: Sim, porque, obviamente, sabemos que ela é muito forte tanto fisicamente quanto…
Gal Gadot:
Primeiramente, ela não vê essa diferença entre qualquer diferença de gênero. Não é nem um problema, sabe. Ela vem deste mundo onde homens e mulheres são iguais e não é uma questão ser um homem ou uma mulher. Ela vê, ela sente que ela pode fazer tudo e ela vai atrás disso. Ela é uma pacificadora; ela não iria atrás de começar uma batalha ou uma briga. Ela tentaria resolver isso de qualquer outra maneira diferente, mas eu acho que essa é a beleza na Mulher-Maravilha, é que ela é… É engraçado, pois eu acabei de ter uma conversa com a minha filha há duas noites. Eu a coloquei para dormir e estava lendo uma história dela sobre princesas e Ariel, a sereia, que seja, e, então, ela estava falando sobre o príncipe, o cara, ela o chamou de príncipe e disse, “Sim, e o príncipe, eles geralmente são muito fortes.”
E eu perguntei a ela, “E as princesas?”
“Elas são fracas.”
“E como você acha que elas deveriam ser, Alma? (O nome da minha filha é Alma.)”
Ela disse, “Elas devem ser fortes. Devem ser fortes,” e eu sinto muito orgulho de que, finalmente, este filme está sendo feito, porque todos vocês, todos os homens e meninos sempre tiveram uma figura para se espelhar, seja o Superman, ou o Batman, ou o Homem-Aranha, ou quem seja, eles sempre tiveram heróis em quem se espelhar. E, para as meninas, são sempre as princesas que estão sendo salvas ou sendo passivas e, finalmente, a Mulher-Maravilha, ela é destemida, ela é proativa, ela acredita em si mesma. Ela acredita que ela pode fazer tudo e isso é uma mulher de verdade para mim.

Collider: Você acompanhava a história da Mulher-Maravilha quando você era criança?
Gal Gadot: Na verdade, não, para ser sincera. Não. Eu conhecia ela, mas (com) a série de Lynda Carter, da Mulher-Maravilha, eu ainda não tinha nascido. Após eu conseguir o papel, eu assisti algumas reprises.

Collider: A sua filha está familiarizada familiar com a Mulher-Maravilha?
Gal Gadot: Sim, ela está. Está, sim.

Collider: Ela está ansiosa?
Gal Gadot: Sim, está muito ansiosa.

Collider: Você estava falando sobre figuras da cultura pop que as pessoas novas se espelham e que os meninos têm muitas. Em quem você se espelhava, da cultura pop, quando você era pequena?
Gal Gadot: Deixe-me pensar, mas eu não, tipo, eu não tinha uma figura feminina forte para me espelhar. Só quando eu era adolescente, aí eu gostava de diferente artistas, sabe, mulheres, mas quando eu era menina, eu não tinha uma figura para me espelhar, além de minha mãe.

Collider: Como você venderia este filme para meninos que podem estar pensando ‘bem, isso é para meninas’?
Gal Gadot: Essa é uma história tão universal. Tão universal. É uma bela história sobre uma alma linda que tentou salvar o mundo e fazer o melhor, e ela não sabe muito bem onde está se metendo. Ela é muito ingênua, mas o amor dela pela vida está educando ela e mostrando a ela, em uma maneira muito sofisticada, a realidade dela, no que ela se meteu e é lindo, é apenas uma história linda de amor sobre uma menina que cresce, que está crescendo.

Collider: Como você balanceia o sensacional de deus e deusas e superpoderes com o cenário histórico real da Primeira Guerra Mundial?
Gal Gadot: Bem, foi muito fácil, porque quando gravarmos Themyscira, quando gravarmos na ilha, será apenas Themyscira por um mês na Itália, vai ser a sua própria vibe e, até agora, estamos gravando aqui em Londres, a cinzenta e fria Londres, Primeira Guerra Mundial, era como se eu estivesse aqui para a Primeira Guerra Mundial e quando gravarmos Themyscira, estarei em Themyscira, com as Amazonas e será…

Collider: Como o cenário de verdade?
Gal Gadot:
Isso.

Collider: Ouvimos que Diana realmente tem um estilo de luta próprio para ela, que mistura coisas. Você pode falar sobre descobrir e treinar nisso?
Gal Gadot:
O treinamento, é, eu treinei muito. Eu treinei espada. Eu fiz boxe. Fiz artes marciais, tipos diferentes, não sei, eu não sei como chamar os estilos que eu aprendi, mas… É uma mistura de tudo.

Collider: É WonderFu.
Gal Gadot:
Eu vou chama-lo de WonderFu. Porque todos os coordenadores de dublês, eles vêm de todas as disciplinas, então ela pega um pouco de todo mundo e, em seguida, o transformou em um estilo de luta incrível.