Gal Gadot e Mulher-Maravilha 1984 são o recheio da revista francesa L’écran Fantastiqué de julho. Confira a tradução de parte da matéria e a entrevista (na íntegra) que a atriz que interpreta a super heroína fala sobre a intensidade das cenas de ação e como foi trabalhar com Kristen Wiig e Pedro Pascal.

Mulher-Maravilha 1984: a princesa amazona através do tempo

por Pascal Pinteau

Após as batalhas de 1914-1918, Diana Prince descobre o brilho e a atmosfera chamativa dos anos 1980, nesta segunda aventura solo.

O grande sucesso de público e crítica conquistado por Mulher-Maravilha (foram 822 milhões de dólares em receitas de bilheteria em todo o mundo) permitiu à dupla Gal Gadot/Patty Jenkins preparar uma nova obra com carta branca. A atriz conquistou novos (super) poderes, já que se tornou uma das produtoras do filme, o que lhe permite contribuir nas importantes tomadas de decisões. Ao avançar 70 anos no tempo, de trincheiras enlamaçadas da Primeira Guerra Mundial à era de roupas de treino fluorescentes, Walkman e globos de discotecas, a diretora e co-roteirista Patty Jenkins escolheu uma história com um tom mais leve. Não ficaremos surpresos, no entanto, ao encontrar nos créditos de Mulher-Maravilha 1984 a excelente Kristen Wiig, cujo talento cômico fez maravilhas na famosa série Saturday Night Live, berçário de todas as estrelas americanas do humor desde 1975. Depois de caçar assombrações no reboot feminino de Caça-Fantasmas, Wiig encarna aqui um dos inimigos mais famosos da Mulher-Maravilha: a Mulher-Leopardo apareceu em 1943 nas aventuras da amazona e depois se reinventou várias vezes ao longo dos anos. Patty Jenkins focou na terceira versão da personagem, muito recente, uma vez que vem da série de quadrinhos da DC Comics Renascimento, publicada desde maio de 2016 nos EUA.

Um inimigo com todas as garras a mostra

Neste contexto, Barbara Ann Minerva é uma arqueóloga britânica especializada em civilizações e línguas antigas e é, acidentalmente, a herdeira de uma vasta fortuna. Ela mantém relações amistosas com Diana Prince. Mas tudo muda durante uma de suas expedições à África, porque Barbara descobre que um ritual mágico pode torná-la imortal, dando-lhe poderes sobre-humanos emprestados de guepardos. Privada de qualquer escrúpulo, ela aceita que Chuma, o sumo sacerdote da tribo, mate seu colega e médico companheiro de viagem, Dr. Leavens, porque ele terá que beber o sangue de uma vítima de sacrifício durante a cerimônia. Com este horrível crime realizado, Barbara se encontra de fato dotada de força e velocidade incríveis (o guepardo é o mamífero mais rápido do mundo, ultrapassando 100 km/h em velocidade máxima) e pode controlar as ações dos animais. Quando ela usa seus poderes, ela se transforma em um leopardo fêmea com traços felinos e pele coberta de pelos manchados. Obcecada com o laço da verdade da Mulher-Maravilha, ela bolará planos diferentes para agarrá-lo. Mas essa criatura formidável não é o único adversário que a nossa heroína encontrará neste novo filme. Outro vilão icônico da DC Comics aparece: Maxwell Lord, um brilhante empresário que dirige uma enorme multinacional. Lord também é um meta-humano, cujos poderes telepáticos permitem que ele influencie a mente das pessoas. Nós até o vimos coagir o Super-Homem contra o Batman e a Mulher-Maravilha durante uma história em quadrinhos que permaneceu famosa. No filme que assistiremos, é Pedro Pascal quem o interpreta. O ator de origem chilena permanece decididamente fiel ao gênero de fantasia, já que ele pode ser assistido em Game of Thrones e no filme de ficção científica Riqueza Tóxica, bem como, muito recentemente, na série The Mandalorian, na qual ele interpreta o papel principal, inteiramente escondido sob seu capacete e armadura! Tudo o que nos resta é esperar até dia 12 de agosto* para descobrir o ponto culminante do trabalho da talentosa equipe reunida na frente e atrás da câmera.

Entrevista com Gal Gadot

Depois de iniciar sua carreira como modelo, Gal Gadot se tornou atriz de TV e, mais tarde, de cinema. Seu primeiro sucesso se deve graças à franquia Velozes e Furiosos, na qual ela aparece quatro vezes. Mas foi Mulher-Maravilha que a levou a fama completa, em 2017.

Como você reagiu, quando Patty Jenkins falou contigo pela primeira vez, sobre situar essa nova aventura de Diana nos anos 1980?
Eu amei a ideia. Esta década é tão rica e teve tantas coisas bonitas que nos ofereceu muitas oportunidades visuais e narrativas para abordar no filme. Ele também se beneficiaria com a música original e a paisagem sonora, porque poderíamos usar os melhores sucessos da época. Os anos 1980 foram realmente memoráveis e eu gostei desse projeto imediatamente.

Sua abordagem foi um pouco diferente, desta vez, já que você se tornou produtora. O que mudou para você, ao se dedicar no seu trabalho no filme?
Sabe, devo dizer que foi uma ótima oportunidade para aprender a minha profissão como produtora, colaborando com os melhores. Faço esse trabalho por paixão, por amor a todas as formas de artes e ofícios. E mesmo que eu seja, junto com a Patty, uma das pessoas que melhor conhece a personagem da Mulher-Maravilha, porque eu a interpreto, participar da concepção de um projeto de tal magnitude e estar envolvida na criação da história, nas abordagens visuais e na escolha dos locais de filmagem, é uma experiência extraordinária que abre os seus olhos e te faz descobrir muitas coisas. Eu aprendi muito, colaborando com Patty e Charles Roven! E isso é ainda mais precioso para mim, já que fundei recentemente minha própria produtora. Foi ótimo.

Onde está a vida pessoal de Diana, quando a encontramos na era dos anos 1980?
Bem, o primeiro filme foi a história da juventude e do aprendizado de Diana e como essa princesa amazona se emancipou para se tornar a Mulher-Maravilha. Descobrimos seus poderes e sua força, ela aprendeu a usá-los e tomou a decisão de deixar a Ilha das Amazonas para descobrir o mundo dos humanos. Ao conhecê-lo, Diana parecia um peixe fora d’água, fora de seu elemento. Tudo era muito novo para ela. Quando a encontramos, quase 70 anos depois, ela adquiriu muita experiência, visitou todo o planeta e, obviamente, se tornou mais sábia, mais madura. Agora ela entende as complexidades, as nuances e as contradições da humanidade. Mas ela também está muito sozinha, porque perdeu todos os membros de sua equipe  de 1917 ao longo dos anos; a única maneira de preservar sua identidade a força a levar uma vida fora dos holofotes, com grande descrição.

Uma heroína muito empata

Mesmo que ela seja metade semideusa, Diana parece revelar um lado quase humano da sua personalidade, tendo vivido por um longo tempo longe da Ilha das Amazonas…
De fato. Quando fui escolhida para interpretá-la, a maneira como a abordei desde o início consistia em me perguntar: “Como se interpreta uma super-heroína? Uma pessoa que é semideusa e que possui tanta força e poderes extraordinários?” Depois de muito pensar, o que me permitia interpretá-la era com que as pessoas sentissem que, mesmo que ela tenha esses poderes de tirar o fôlego, o coração dela permanece humano. Ela tem muito amor nela, compaixão, empatia e, portanto, é necessariamente vulnerável por causa disso. Há algo lindo nessa fraqueza, nessa fragilidade, que me ajudou enormemente a me tornar a Diana e torná-la acessível e mais próxima do público.

Justamente, Diana é fisicamente vulnerável pela primeira vez neste filme. Foi interessante interpretar isso?
Absolutamente, porque os riscos imediatamente se tornam muito maiores. Mas não posso revelar mais nada.

Para a surpresa de todos, Chris Pine está de volta como Steve Trevor. A julgar pelo que vimos nas primeiras imagens, o relacionamento e a pequena provocação entre eles corresponde exatamente ao que os fãs tanto gostaram no primeiro filme. Vocês parecem se divertir muito, fazendo essas cenas juntos e desta vez os papéis estão invertidos, já que Steve está totalmente desnorteado pelo mundo que descobriu em 1984…
Fiquei surpresa e feliz que Patty e seu colega roteirista Geoff Johns encontraram uma maneira de trazer Steve Trevor de volta à vida e isso faz parte da história da qual obviamente não podemos falar. Chris desempenhou um papel importante no sucesso do primeiro filme e eu gostei muito da nossa colaboração. Ele é um excelente parceiro. Ele sempre me provoca e rimos muito juntos. Isso traz o melhor de mim de muitas maneiras.

Enfrentando os vilões

Desta vez, Diana enfrenta dois novos adversários, a Mulher-Leopardo e Max Lord. Você pode nos contar como foi trabalhar com Kristen Wiig e Pedro Pascal?
Eu realmente gostei dos dois. Nós quatro tivemos a sorte de nos dar muito bem com a Patty. No set, muitas vezes tentávamos imaginar a melhor maneira de fazer todo mundo rir. E nos encontrávamos para passar tempo juntos durante quase todos os nossos dias de folga. Era quase como se todos tivéssemos participado do mesmo acampamento de verão, com atividades completamente loucas, mas, em vez de acontecer ao longo de algumas semanas de verão, ele nos manteve ocupados por quatro meses de preparação e oito meses de filmagens! (risos) Apoiamos uns aos outros e sempre continuávamos como uma equipe unida. Acho que será perceptível assistindo o filme. E mesmo com o Pedro e com a Kristen, que interpretam os vilões, acho que essa química que foi criada entre nós foi de grande ajuda para todos.

As cenas de ação são tão espetaculares que você pode imaginar que elas são o resultado de um treinamento físico longo e muito intenso.
Quando filmamos uma cena, dedicamos toda a nossa energia a ela, mil por cento, se ouso dizer! Estamos totalmente devotados a essa sequência e no momento em que nossos respectivos personagens tomam vida, e é por isso que é imperativo estar em excelente forma física. A escala do filme é tamanha, tudo é feito em uma escala tão grande e é cortado em tantas cenas muito complicadas que podemos nos beneficiar do tempo de pausa entre os diferentes conjuntos de equipamentos e câmeras. Aproveitamos esses momentos para ir ao meu trailer para conversar ou então decidimos ir treinar um pouco para nos ajudar a manter a energia.

Kristen Wiig disse que se sentia em forma física fenomenal, mesmo que as sessões de treinamento fossem exaustivas …
Sim . Eu também, quando filmo esses filmes, sinto que estou em forma olímpica, porque a produção garante que todos treinemos com os melhores especialistas, cuidando para que tudo o que fazemos seja bom para a nossa saúde, e também nos dando tempo para descansar. Preparamos a comida mais saudável e mais adequada aos esforços físicos que temos que fazer. Somos seguidos pelos melhores fisioterapeutas e melhores supervisores de dublês. Graças a tudo isso, nossos corpos ficaram muito felizes durante as filmagens, mesmo que pedíssemos para eles fazerem um grande esforço. É claro que às vezes você precisa estar motivado para ir malhar na academia ao amanhecer e depois dar o seu máximo durante as cenas de ação no set, mas quando você vê o resultado na telona, achamos que valeu a pena.

*A Warner Bros. ainda não havia alterado a data de lançamento do filme para 01 de outubro, no momento da publicação da matéria.

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Tradução de adaptação: Gal Gadot Brasil