Nesta matéria publicada na revista argentina Luz, na edição de maio, Gal Gadot fala sobre o seu mais novo filme, Mulher-Maravilha, e como foi o preparo para viver uma das personagens mais aguardadas de todos os tempos e as gravações na costa da Itália e em Londres.

Gal Gadot: a nova Mulher-Maravilha

Por Pablo Steinmann

Ela nasceu em Israel, onde foi modelo e soldado. Sedutora e pacífica, a atriz fala de sua vida de mãe e heroína, há poucos dias da estreia de seu filme solo.

O nome dela em hebraico significa “onda”, uma espécia de ironia para quem nasceu longe do mar (na cidade de Rosh HaAyin, em Israel) e sempre desejou viver do surf. No entanto, ela se consolou com uma variedade quase infinita de esportes. Hoje, aos 32 anos, ela continua a queimar calorias de várias maneiras, na academia, claro, e também nas paredes de escalada, seu hobby mais recente. Seu corpo, claro, sempre foi invejável. A carreira de modelo foi a sua porta de entrada para a fama, primeiro como Miss Israel (e quase Miss Universo) e depois, como modelo, dividindo campanhas com a modelo mais famosa do seu país: Bar Rafaeli. Para o público israelense, no entanto, ela sempre será a favorita, pois ao contrário da ex de Leonardo DiCaprio, Gal nunca quis pular o serviço militar obrigatório de seu país. Ela serviu por dois anos (dos 20 aos 22 anos), como soldado das Forças de Defesa de Israel. “Eu aprendi muitas coisas lá, especialmente disciplina e respeito, dois valores que me ajudaram muita na minha carreira. E, também, na minha vida,” ela declarou, quando era uma jovem promessa de Hollywood.

A Meca do show business veio quase que por acaso, quando um de seus agentes enviou um vídeo dela para a seleção de elenco mundial de 007 – Quantum of Solace. Ela esteve perto de ser uma Bond Girl, mas a também exótica Olga Kurylenko foi quem de fato conseguiu o papel. Graças a essa audição, contudo, ela se tornou a sexy Gisele, da saga Velozes e Furiosos. “O diretor de elenco me disse mais tarde: ele havia ficado impressionado com o meu uso das armas,” ela contou, rindo, em uma entrevista na televisão. Curiosidades do destino, ela conheceu o marido dela em um local um tanto inusitado. “Foi em um retiro naturalista no deserto. Era sobre yoga, chacras e comida saudável, até que, de repente, eu o vi e fui enfeitiçada. A partir daquele momento eu sabia que ele era o homem certo. Eu não me importava que ele fosse 10 anos mais velho que eu, ele só me pediu em namoro e eu aceitei, encantada. Dois anos depois, nos casamos,” ela disse à revista Glamour. Hoje eles têm duas filhas juntos, Alma (de 5 anos) e Maya, de apenas 4 meses, que os acompanham a todos os lugares.

Vários desses passeios e viagens podem ser vistos diariamente, através da conta de Gal Gadot no Instagram, que já está possui mais de 5 milhões de seguidores. Muitos deles, claro, vieram quando a atriz foi confirmada como a nova e tão aguardada Mulher-Maravilha, um papel para o qual foram considerados todos os tipos de nomes e projetos. A estreia dela nesse papel foi a mais de um ano, no filme Batman v Superman, ao lado de Ben Affleck e Henry Cavill.

Agora, ela finalmente estreará o seu próprio filme que conta a origem da heroína mais emblemática do universo da DC. “Confesso que quando pequena eu não era uma grande seguidora dos quadrinhos, mas sim, me lembro de muitas cenas da série estrelada por Lynda Carter. Ela é um ícone. Muitos dizem que ela [a Mulher-Maravilha] é uma mulher lutadora e forte como eu, mas devo dizer que eu, pessoalmente, prefiro o amor, o diálogo e o entendimento à luta,” ela disse durante a apresentação do filme, enquanto afirmou: “Eu comemoro que uma personagem feminina tenha tanta importância em Hollywood, embora sinta que ainda temos um longo caminho a percorrer para que o sexo e o gênero não sejam fatores relevantes. Honestamente, não sei se alcançaremos este ideal algum dia. Espero que sim, basicamente porque a vida seria muito menos complicada e mais agradável para todos, para os homens também, com certeza.

Os fãs elogiaram as suas cenas como Mulher-Maravilha, em Batman v Superman. Isso te ajudou na hora de abordar a sua própria história, agora?
Bem, eu me senti muito honrada e feliz com a recepção que o meu papel teve nesse filme, a verdade é que eu tentei me privar de tudo ao encarar esta nova aventura. Se você tenta apenas agradar o público, em algum momento, você acaba perdendo a sua própria verdade. E, também, a do personagem. Não se pode agradar a todos, sempre. Isso é algo que aprendi há muito tempo e agradeço ter isso tão presente.

Qual foi a parte mais difícil do seu treinamento para o papel?
Acho que as longas horas e o exercício foi o mais difícil. Não é como se eu tivesse ido a academia e pronto. Eu treinava lá, por duas horas, com pesos, em seguida, fazia outras duas horas de equitação e, depois disso, voltava para a academia para continuar com o treinamento de artes marciais. Era assim por seis dias na semana. Foi muito cansativo. Somente após dois meses e meio de fazer esta rotina que eu comecei a apreciá-la. Pelo menos não sofri muito. (risos)

Como você se deu com Chris Pine, que interpreta Steve, o grande amor de Diana, no filme?
Muito bem. Chris trouxe ao set algo indispensável para qualquer equipe de trabalho: o humor. Ele é um cara muito, muito engraçado e creio que isso ajudou muito na hora de conseguirmos uma química interessante entre nós. Foi um prazer trabalhar com ele.

Graças as gravações, você conheceu a Costa Amalfitana, na Itália. Como foi essa experiência?
Espetacular. O início das gravações foi em Londres, uma cidade da qual estou profundamente encantada, mas devo admitir que fazia muito frio e estava mais cinzenta do que nunca. Depois disso, quando o verão estava começando, todo o set se mudou para a Itália e foi incrível. Ir gravar sabendo que o que nos esperava era o mar e o sol brilhante foi muito especial. Além disso, ali gravamos uma das cenas mais épicas que jamais foi vista antes: mais de 100 mulheres, lindas e guerreiras, juntas, montadas em cavalos e preparadas para travar uma grande batalha. Foi inesquecível.

Como você fez, em Londres, para aliviar o frio, usando o seu traje de Mulher-Maravilha?
Não foi fácil. Felizmente, estive sempre rodeada de pessoas cuja missão era me manter o mais aquecida possível. Eles me traziam cobertores e aquecedores depois de cada cena (risos).

O que você acha que essa personagem deixou em você? E o que você gostaria que ela deixasse?
Ugh… Desde o início desta aventura, sinto uma grande emoção em poder ser capaz de trazer de volta uma personagem tão emblemática como esta. É algo que me deixou nervosa desde o início e estou feliz em tê-la interpretado assim. Às vezes, me senti como uma menina olhando o monte Everest de baixo e sentindo como se eu devesse escalá-lo por inteiro. Bem, eu fiz isso. Isso me deixa muito feliz, sinto que todo esse acumulo de sangue, suor e lágrimas valeu a pena. Temos uma história genial em mãos que tem tudo: ação, romance e uma mensagem de amor e esperança que eu acho que tocará profundamente muitas pessoas.