A revista mexicana Cine Premiere teve a oportunidade de conversar com Gal Gadot, durante a divulgação de Mulher-Maravilha, em Los Angeles. A atriz falou sobre seu processo criativo e como se aproximou desta personagem que possui 75 anos de história. A atriz também não poupou elogios a Patty Jenkins, a diretora do filme. Confira a tradução da entrevista.

por Paulette Jonguitud

Chove em Los Angeles e o hotel onde se realizam as entrevistas com o elenco de Mulher-Maravilha amanhece sem luz. Uma tempestade cinza bate nas enormes janelas e tetos de vidro que em dias ensolarados dão a visão geral de West Hollywood. A cidade, assim como os angelenos, estão desconcertados com o clima. “Vivo aqui há 12 anos e nunca havia visto três dias consecutivos de chuva,” me disse a garota que me acompanhou até a sala onde Gal Gadot aguarda para a sua entrevista com a Cine Premiere. A luz volta, o ar-condicionado é ligado e todos nós congelamos dentro deste edifício caracterizado para se parecer com uma construção Art Déco.

Quando é nossa vez para entrevistar a primeira mulher a encarnar a Mulher-Maravilha no cinema, a chuva havia cessado um pouco. Gal aguarda sentada em uma sala cinza e veste um vestido azul royal que ressalta seus primeiros meses de gravidez. Ela nos recebe tranquila, com uma abraço e um sorriso que nos fazem sentir confiantes. À sua esquerda, há alguns pôsteres com cenas do filme em que ela aparece vestida como amazona e é difícil relacionar esta jovem de gestos suaves com Diana Prince, que luta corpo-a-corpo com Antiope (Robin Wright). Porém, conforme conversamos com ela, descobrimos uma força intrínseca em seus movimentos, parecida com a da mulher dos braceletes dourados.

Conte-nos um pouco sobre o seu processo criativo ao abordar uma personagem com tantas décadas de história em sua versão nos quadrinhos.

Minha relação com Diana Prince foi dividida em duas etapas, dois filmes distintos. No início, foram Zack Snyder e os produtores de Batman v Superman quem me chamaram para o papel e eles já sabiam claramente como seria a Mulher-Maravilha. A personagem já estava completa, já havia uma história, um roteiro… E não havia muito espaço para que eu contribuísse; foi como começar o processo pelo fim. Agora que fiz este filme com a Mulher-Maravilha como protagonista, comecei desde o início, quando ela é Diana Prince e não está ciente de seus poderes; ela é jovem e idealista, acredita que o mundo é preto e branco, bom ou mau e está certa de que o bem sempre vencerá sobre o mal. Então, ela embarca nesta aventura ao lado de Steve Trevor e amadurece: ela compreende que a vida é complexa e que a humanidade é ainda mais; que a maior parte da vida é cinza.

Neste processo, trabalhando com Patty Jenkins, tive muito espaço para influenciar a personagem, sobre quem ela é e como contar a sua história. Patty, os escritores e eu nos reunimos muito para falar sobre como abordar uma personagem tão icônica que já esteve na ativa há décadas.

É a primeira vez que ela está nos cinemas, de que forma você gostaria que ela fosse lembrada?

Tentei encontrar algo que me fizesse conectar com essa mulher tão poderosa, a guerreira mais feroz que já viveu. Pensei muito em como contar a sua história de modo que todas as mulheres pudessem se identificar com ela. A primeira coisa que descobri é que eu tinha que mostrar as múltiplas facetas de Diana Prince. Sim, ela é a maior guerreira, é uma amazona, mas ao mesmo tempo ela é uma garota que se sente insegura, que pode se sentir confusa e oprimida por suas emoções. Ocorreu-me que ela deve ser como nós, como todo mundo, completa. Então, me dei conta de que não poderia representá-la como uma deusa, porque eu não sou uma deusa, ninguém de nós é. Bem (risos), todas nós somos um pouco, mas, de verdade, como você se identifica com alguém assim? Decidi mostrar os traços de imperfeição em sua personalidade. Como atriz, isso é o que me intriga quando interpreto um papel ou quando vejo um filme: gosto de ver a fraqueza dos personagens. Poderia falar sobre este processo por horas, mas tenho certeza de que você tem mais perguntas (risos).

Ultimamente se tem falado muito sobre a Mulher-Maravilha como um exemplo para as meninas pequenas seguirem. Você acha que é assim?

Não acho que seja um filme para mulheres ou meninas, acho que é um filme que vai além dos gêneros, é uma história universal. No mundo dos filmes dos super-heróis, a Mulher-Maravilha se destaca porque ela é uma heroína que não luta com seus inimigos até que eles estejam no chão. Diana os para e lhes dá uma opção: ou lutamos até o final, ou encontramos um modo diplomático de resolver nossos conflitos. Sempre há uma opção diferente da violência e creio que esta seja uma mensagem importante no momento histórico em que nos encontramos. O filme transmite uma mensagem de empatia e compaixão.

Como foi trabalhar com Patty Jenkins? Ela é a primeira mulher a dirigir um filme de super-heróis para um grande estúdio.

É importante dar maiores oportunidades para as mulheres na indústria. Há muito talento. Creio que Patty era a pessoa ideal para fazer este filme, pois ela é uma apaixonada pela Mulher-Maravilha desde sempre. Quando Charlize Theron ganhou um Oscar por Monster: Desejo Assassino, muitos estúdios abordaram Patty e ela, desde então, 10 anos atrás, imagina a dedicação, disse que queria fazer o filme da Mulher-Maravilha. Ela é uma pessoas que dá muita atenção aos detalhes e que ao mesmo tempo tem a imagem completa em sua cabeça. Ela se deu aos personagens com a gente, ela era a primeira a chegar ao set e a última a sair… A pessoa ideal para este filme.

Se você pudesse escolher algum dos poderes da Mulher-Maravilha, qual você escolheria?

Eu não gostaria de ser imortal (risos), e ela é a guerreira mais poderosa, mas eu não lutaria o tempo todo… Então tenho que escolher o laço da verdade.

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